segunda-feira, 30 de julho de 2012

Alice adolescente II.

Por Arthur Franco 

No post anterior falei um pouco sobre Alice no País das Maravilhas, obra de Lewis Caroll escrita no século XIX, e de como a história da menina que cai por um buraco e encontra um mundo de "maravilhas" pode ter uma leitura diferente daquela contida no livro. 

  • Entende-se que a adolescência é um estágio de amadurecimento, tanto físico quanto psicológico e emocional. É um estado em que o jovem muitas vezes se vê confuso e perdido na sua própria identidade. Quando Alice cai na toca do Coelho Branco, de forma repentina e desenfreada, é possível fazer uma alusão desse fato com a entrada inesperada e desenfreada que toda criança sofre ao entrar na adolescência. Não existe um momento exato que a criança sabe que vai entrar nessa fase, além de que não ter como pará-la e não sabe o que vai encontrar no final dela, assim como Alice não sabia o que a esperaria no fundo do poço.  



  • Durante a adolescência, acontece a fase do chamado ‘estirão’, na qual o indivíduo cresce e as mudanças no corpo começam a acontecer. Essa é uma fase típica desse estágio, a qual pode vir acompanhada de mudança de voz nos meninos, crescimento dos seios nas meninas e aparecimento de pêlos pubianos.   A protagonista experiencia o ‘estirão’ várias vezes durante o livro.  A primeira vez que Alice muda de tamanho é logo após que aterrissa na sala das portas. Depois de beber a garrafa que continha a inscrição ‘BEBA-ME’, a garota começa a diminuir de tamanho. “- Que sensação estranha! – exclamou Alice – Parece que estou encolhendo como um telescópio.” . Insatisfeita com o tamanho, ela come o bolo com a inscrição ‘COMA-ME’ e adquire mais de três metros. “– Agora estou espichando como se fosse o maior telescópio do mundo! Adeus, pés (porque, quando olhou para seus pés, eles pareciam tão distantes, que quase se perdiam de vista).” E por várias outras passagens da obra vemos que Alice muda de tamanho.




  • A crise de identidade que os indivíduos sofrem na adolescência está relacionada à entrada em um novo mundo e com a perda de referenciais antes tomados como certo. E é justamente isso que acontece com a protagonista do livro. Alice se vê em outro mundo, totalmente diferente do lugar que ela estava acostumada, e com seus referenciais todos desfeitos. A todo momento, ela tenta se lembra de poemas ou composições que aprendera na escola, que funcionariam como uma espécie de conexão para que ela soubesse que ainda era a mesma menina que caíra pelo buraco. Mas acaba por não conseguir recitar nenhum da maneira correta e passa a se questionar: ‘quem sou eu?’.


Com essa análise é possível perceber que, apesar de Alice no País das Maravilhas ser um livro concebido para crianças, é possível encontrar pontos que denotem a transição da infância para a adolescência. A protagonista, ao descobrir um mundo novo, mudar de tamanho e entrar numa crise de identidade pode estar experienciando a fase da vida em que essa situações geralmente acontecem. Lewis Carroll, se baseando na pequena Alice Liddell, criou um conto para crianças mas que pode servir de metáfora para a transição da infância para a vida adulta.

sábado, 28 de julho de 2012

Alice adolescente I.


Por Arthur Franco

Alice no País das Maravilhas foi concebido inicialmente em 1862 durante um passeio de barco pelo rio Tâmisa. Lewis Carroll e seu amigo Robinson Duckworth haviam levado as irmãs Lorina Charlotte, Edith Mary e Alice Pleasance Liddell, para um passeio e, com intuito de entretê-las, Carroll criou a história de Alice. Dois anos depois, o autor decidiu passar a obra para o papel e dedicá-la a irmã do meio da família Liddell, Alice. Mais tarde resolveu então publicar a obra, aumentando-a e incluindo novos personagens, como o Gato de Cheshire e o Chapeleiro Maluco.


Desde a sua publicação, o livro ganhou notabilidade e conhecimento do público, sendo considerado uma obra clássica da literatura inglesa e da literatura infantil. Pela tamanha notoriedade, o livro já ganhou inúmeras adaptações cinematográficas. Mas certamente a mais marcante e conceitual é o filme “Alice in Wonderland”, de 1951, produzido pela Walt Disney. O longa-metragem traz uma Alice loira, em um vestido azul e combina elementos de outro conto de Carroll, Alice Através do Espelho, considerado a continuação de Alice no País das Maravilhas. 

A história de uma garotinha que cai por um buraco e descobre um mundo totalmente novo (e maluco) pode ser interpretada como uma metáfora da transição da infância para a adolescência. No próximo post falarei um pouco dos argumentos que reforçam essa teoria. 

quinta-feira, 26 de julho de 2012

"Você vai rir, vai chorar e ainda vai querer mais".

Por Carlos Gabriel F.

A frase acima é de um autor renomado e, apesar dos poucos livros, um dos meus favoritos por também saber lidar bem com as palavras: Markus Zusak. O escritor australiano junta suas forças para falar sobre o novo lançamento de John Green, que – preparem os corações para um título surpreendente – é chamado de “A culpa é das estrelas”. A história, simples, é sobre uma menina doente, com os pulmões machucados, nomeada Hazel, que encontra outro menino, também com seu infinito de lágrimas nos olhos, mas simpático e divertido, chamado Augustus Waters. 

“Não sou formada em matemática, mas sei de uma coisa: existe uma quantidade infinita de números entre 0 e 1. Tem o 0,1 e o 0,12 e o 0,112 e uma infinidade de outros. Obviamente, existe um conjunto ainda maior entre o 0 e o 2, ou entre o 0 e o 1 milhão. Alguns infinitos são maiores que outros... Há dias, muitos deles, em que fico zangada com o tamanho do meu conjunto ilimitado. Eu queria mais números do que provavelmente vou ter.”

Em paridade eles tentam se dar forças para tentar combater suas indefesas. Utilizando uma parte da sinopse oficial, bem diria que “juntos os dois vão preencher o pequeno infinito das páginas em branco de suas vidas”. “A culpa é das estrelas” é um livro sentimental sobre sentimentos; um modo sincero de demonstrar que, muitas das vezes, a vida é um devaneio complexo de consequências que não conseguimos controlar; um espectro de possibilidades que, ao final, não poderão ser escolhidas porque o tempo é curto demais. 

“Meu livro favorito era, de longe, “Uma aflição imperial”, mas eu não gostava de falar dele. Às vezes, um livro enche você de um estranho fervor religioso, e você se convence de que esse mundo despedaçado só vai se tornar inteiro de novo a menos que, e até que, todos os seres humanos o leiam. E aí tem livros como “Uma aflição imperial”, do qual você não consegue falar – livros tão especiais e raros e seus que fazer propaganda da sua adoração por eles parece traição.”

segunda-feira, 23 de julho de 2012

Symphonia #2


Por Carlos Gabriel F.

Para ler é preciso imaginar, desprender-se das correntes realísticas e deixar-se levar pela atmosfera do surrealismo. Ler por simplesmente é viajar através dos cosmos, buscar o inacessível e ver-se caracterizado em datilografias vorazes. E a música me ajuda bastante, permite-me afundar em devaneios ilógicos da literatura. A partir das escolhas corretas, do volume distante e do ambiente ideal é possível transcender ao combinar as duas sensações. Symphonia – músicas simplisinhas que podem agradar a leitura ou qualquer momento do dia; para fazer de trilha sonora as aventuras que você está prestes a encontrar.

quinta-feira, 19 de julho de 2012

540 arrepios.


Por Arthur Franco

Stephen King não é um nome que passa batido. No gênero terror, tanto na literatura quanto no cinema e em séries televisivas, o autor é um dos nomes mais conhecidos, publicando sucessos como Carrie, a Estranha, O Iluminado e Cemitério Maldito.

O primeiro livro de King que caiu nas minhas mãos foi o que justamente o que mais me aterrorizou. Desespero, com suas 540 páginas, narra a história de um casal viajando pela auto-estrada mais solitária dos EUA, a Rodovia 50. Um gato morto espetado em uma placa na estrada já antecede quão sombria será a viagem. Quando eles chegam a cidade de Desespero, em Nevada, descobrem que várias pessoas foram levadas para lá pelo xerife Collie Entragian, um homem determinado a fazer de tudo para que a sua lei seja cumprida. E é justamente nessa cidade que se dá uma luta entre o bem e o mal, o apocalipse entre Deus e o demônio. Todos aqueles presos na cidade pela mão do xerife vão descobrir o verdadeiro sentido da palavra desespero.


King não é poético. É frio, objetivo e duro com as palavras. As suas descrições são as mais precisas possíveis e seus personagens reais. O terror é verdadeiro através das suas palavras e o medo transcende as páginas do livro. O leitor consegue visualizar as cenas sanguinolentas, o desespero dos personagens, o temor pelo xerife. Apesar de longo, o livro prende pela sua narrativa rápida e pela necessidade de descobrir quem ganhará a derradeira batalha.