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segunda-feira, 4 de junho de 2012

Por favor, leia.


Por Arthur Franco

- Paulo Coelho? Só sabe escrever auto-ajuda. E nem sabe escrever direito.
- Mas você já leu algum livro dele?
-Bem, não...

Essa é uma situação que qualquer leitor já deve estar habituado. Quantas vezes você já ouviu alguém falar que um livro/autor é ruim sem ao menos ter lido a primeira palavra?

Uso aqui o exemplo de Paulo Coelho, entre milhares de outros, porque o autor parece ser preferência nacional de crítica, principalmente pela parte daqueles que nunca leram nenhuma página dos seus livros.

Chegamos a um ponto que Machado de Assis é chato demais, Stephenie Meyer não sabe escrever, Dan Brown é mentiroso, Dostoievski escreve muito complicado.  Nunca tivemos tanto acesso à literatura, seja ela online ou física, e nunca criticamos e comentamos tanto. Ótimo, quanto mais lemos, melhor; e quanto maior e ampla a discussão das obras literárias, melhores pessoas nos tornamos.  O problema é quando pessoas trazem comentários falsos sobre livros, opiniões roubadas de outros leitores, tiradas do facebook ou de um review no jornal.

Antes de compartilhar uma opinião alheia sobre uma obra, tente lê-la. Se não o fizer, tente ao menos folheá-la, ler alguns trechos. Cada pessoa, inserida no seu universo simbólico, com as suas regras e preferências, lê cada livro de um jeito. A mesma pessoa que acha Eça de Queirós irritante pode achar Mário de Andrade o melhor escritor do mundo. E você, que não gosta de best-sellers, pode achar George R. R. Martin fascinante. 

sexta-feira, 4 de maio de 2012

Livros aleatórios de ficção-científico-fantasiosa que merecem ser lidos - Parte VII.


Por Carlos Gabriel F.

Antes de elaborar uma lista é necessário enfatizar que os itens abaixo descritos e devidamente mencionados estão sendo analisados por fatores subjetivos. Quero dizer: não foram registrados em cartório como os melhores já escritos ou que mereçam presença divina em suas respectivas estantes. Posso dizer que são livros absolutamente aleatórios, que li em um período de tempo e que creio merecer destaque aqui, neste espaço virtual que estamos criando paulatinamente.

O gênero que me chegou primeiramente à mente e que dá característica à lista é a ficção/fantasia, daqueles que narram estórias que existem apenas nas páginas amareladas e distanciam-se do plano real (quem sabe?); daquelas que criam seres novos e relacionamentos surpreendentes; que em cenários de horror traçam cenas de suspense capazes de dar vertigens; que dão vida àquilo que algum dia cientificamente possa vir a existir.

Já que estes aspectos foram mensurados (novamente. Confira a parte I, II, III, IV, V e VI! que comecemos):

Para descrever Ken Follett eu utilizaria a palavra “catedrais”. Não como uma parte religiosa fervorosa que vê necessidade em se traduzir em palavras, mas como evento social. Datada na Idade Média, é envolta de uma que “Mundo Sem Fim” (2007) começa. O autor mais uma vez nos leva através de histórias incríveis, sendo uma delas o ápice inicial: quatro crianças presenciam o assassinato de um homem em uma floresta nas redondezas do condado de Kingsbridge. E como bem sabe fazer Ken Follett, este crime ligará os personagens durante as novecentas próximas páginas – recheadas de ação, intrigas, guerras, romances inesperados: atacados pela peste negra. 

“You see, all that I ever held dear has been taken from me," she said in a matter-of-fact tone. "And when you've lost everything-" Her facade began to crumble, and her voice broke, but she made herself carry on. "When you've lost everything, you've got nothing to lose.”

José Saramago volta mais uma vez na lista para apresentar “ Claraboia” (publicado em 2011, mas escrito em 1953), rejeitado a priori pelo seu editor no início de sua carreira, mas que foi dado à luz na contemporaneidade. Sob o pseudônimo de Honorato, conhecemos, com uma literatura jovial, a origem daquilo que viria a se tornar o crítico autor. A história em si é simplista, como boa parte de suas outras: em Lisboa um prédio é habitado por seus mais diferentes condôminos; interligados pelos corredores, portas e janelas, os personagens aqui representados administram suas diferentes escolhas e modos de vida, o que, na linguagem de Saramago, torna-se um surpreende estrondo de contrapontos. 

“Aproximou-se da janela e abriu-a. Na rua, mesmo em frente, estava um rapaz, à chuva. Rosália fechou a janela com estrondo. Ia ralhar, mas deu com os olhos da filha, postos em si, uns olhos frios onde parecia brilhar a malignidade do rancor. Atemorizou-se. Maria Cláudia, sem pressas, tirava o impermeável. Algumas gostas de água tinham molhado o tapete.”

Impossível não gostar de ficção e não ter pego em mãos um livro do Sidney Sheldon. Comecei com “O Reverso da Medalha” (1982) e admirei tanto como esse homem é capaz de tirar regozijo literário do simples nada. Nesta brochura, o autor nos leva até a África do Sul para então começar a história de McGregor e como se sucederia futuramente sua multinacional, com as gêmeas Eve e Alexandra. O enredo é marcado por controversas e tentativas de assassinato entre familiares com o simples e único objetivo de manter o poder em modo individual. O que move a família McGregor é a fome pela vingança, o mundo a ser conquistado. 

“O leão faminto dissimula as garras. Modificaremos tudo isso no momento apropriado. O branco aceita o preto porque precisa dos seus músculos, mas tem de se habituar a aceitar-lhe também os miolos.Quanto mais nos empurra para um canto, maior o medo que lhe inspiramos, porque sabe que um dia poderá haver discriminação e humilhação de sinal contrário, perspectiva que se recusa a admitir.”

Que venha mais uma vez o rei do feroz do macabro. “It: A Coisa” (1986) de Stephen King conta a história, mais uma vez macabra, de sete indivíduos que, enquanto crianças, depararam-se com uma criatura centenária que consumia o medo e alterava sua forma. Após trinta anos, a criatura volta a assustar outras crianças, e os sete sujeitos, como haviam prometido, juntam-se para combater aquele que te marcaram – o que coloca em absoluto as suas sobrevivências. Aqui percebemos a peculiaridade de Stephen ao se mostrar tão capaz de uma descrição bem elaborada e peculiar, datada como a obra prima do medo.

“Naturalmente, ele não contara isso a ninguém. Nada no mundo o faria contar, nada o induziria a revelar sua fantasia secreta, escondida bem no fundo do coração. Se pudesse enunciar a frase que ela lhe ensinara casualmente, certa manhã, quando ela e Georgie estavam sentados, vendo Guy Madison e Andy Devine em As Aventuras de Wild Bill Hickok, aquilo seria como o beijo que despertara a Bela Adormecida de seus sonhos frios para o caloroso mundo do amor do príncipe no conto de fadas.”

A Breve Segunda Vida de Bree Tanner” (2010), de Stephenie Meyer, provavelmente é seu segundo melhor livro – já que “A hospedeira” veio em primeiro. O livro é narrado de forma direta, em um único bloco de texto em cento e noventa páginas, sem divisões em capítulos. Nossa personagem que, como já sabemos, morre ao final de “Eclipse”, aqui é demonstrada como nunca antes: sua personalidade, vida, sentimentos e demonstrações são exibidas à degustação literária. Apaixonamo-nos por Bree e evitamos o final inconsequente; criamos expectativas de que a última frase, de algum modo, seja alterado para o bel-prazer dos leitores. 

“No segundo em que os dedos de Diego encontraram o raio de luz, a caverna foi invadida por um milhão de reflexos brilhantes e coloridos, um verdadeiro arco-íris. A claridade era como a luz do meio-dia em uma sala de vidro – havia luz para todos os lados. Eu me encolhi e um tremor percorreu meu corpo. Estava completamente coberta pela luz do sol.”

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

Desmistificando uma rivalidade.


Por Arthur Franco e Carlos Gabriel F.

O facebook vem sendo palco constante de um duelo que já dura algum tempo. De um lado, os fãs de Harry Potter, com varinhas e críticas em punho, defendendo com unhas, dentes e feitiços a saga criada por J. K. Rowling. Batendo de frente, estão os fãs de Crepúsculo, passando por cima de tudo e de todos para colocarem a história do triângulo Bella-Edward-Jacob no lugar de melhor livro de fantasia já escrito. 

As duas obras são estrondosos sucessos que levam acalorados fãs aos lançamentos dos filmes e criam filas imensas nas estréias das adaptações cinematográficas. Ambas já ganharam diversos prêmios e abarrotaram as contas bancárias de suas autoras, tudo graças aos leitores que fazem de tudo pelos seus heróis.  

Fãs de todo o mundo compartilham fotos que pronunciam que o triângulo Harry-Rony-Hermione “nunca chegará aos pés” do triângulo formado pelos protagonistas de Crepúsculo (ou vice e versa). Além disso, Stephen King deu recentemente uma declaração que só deu mais força ao duelo. O autor disse à revista USA Weekend que a principal diferença entre J. K. Rowling e Stephenie Meyer é que a primeira é uma ótima escritora, enquanto Meyer “não consegue escrever nada”. Outra citação atribuída a King que anda circulando pela internet é que “J.K. Rowling escreveu em um capítulo uma história de amor melhor que Stephenie Meyer fez em quatro livros”. Verídica ou não, é fato que desperta nos fãs das duas histórias uma tendência à confrontação.

Mas qual o porquê desse embate? Os livros são assim tão parecidos que não podem coexistir na mesma estante? Não é possível gostar das duas sagas? Esse parece ser o pensamento de alguns fãs, mas vamos aos argumentos. 

Harry Potter foi primeiramente lançado em 1997. Pode-se dizer com certeza que a série é um fenômeno dos últimos anos, arrecadando milhões de dólares tanto nas vendas dos livros quanto de produtos baseados na saga, como filmes, videogames, roupas, itens de colecionador e até outros livros que abordam o universo mágico de HP. Contando com sete volumes, a história gira em torno de Harry, um órfão que mora com seus tios abomináveis. Prestes a fazer 11 anos, Harry recebe a inesperada visita de Rúbeo Hagrid, guardião das Chaves e dos Terrenos de Hogwarts, e descobre que é bruxo. Na mesma noite ainda, Harry descobre que seus pais não morreram em um acidente de carro, mas foram mortos pelo maior bruxo das trevas de todos os tempos: Lord Voldemort. É em torno desse conflito que toda a série vai se desenvolver, na eterna luta do bem contra o mal, da justiça contra o erro, do certo versus o errado. 

Já Crepúsculo tem a sua temática baseada em uma história de amor “impossível”. Lançado em 2005, o livro também se tornou um imediato sucesso, sendo seguido de filmes, jogos, roupas e livros derivados da saga. São no total quatro livros que narram a história de Bella, uma humana que se apaixona pelo misterioso e pálido Edward. As circunstâncias acabam por deixá-los cada vez mais próximos, até Bella descobrir pelo seu amigo Jacob que Edward é um vampiro, mas que não se alimenta de sangue humano. Ao longo dos livros, a personagem principal também descobre que Jacob é um lobisomem, inimigo natural dos vampiros. A partir daí surgem os conflitos, já que Bella esta perdidamente apaixonada por Edward, mas nutre sentimentos por Jacob. 


As duas obras possuem diversos pontos em comum, mas também se diferenciam bastante em certos aspectos. O principal em comum é o universo fantástico e mágico em que as histórias se desenvolvem. Harry Potter é um livro carregado de mitologia, em que bruxos, centauros, sereias e outros seres mágicos se misturam e interagem. Crepúsculo também é assim, permeado por vampiros e lobisomens. Os dois livros jogam com seres que estão no imaginário popular há séculos já, mas ambos dão um ponto de vista diferente da cultura tradicional de bruxos e vampiros. Harry não faz encontros secretos na floresta para adorar a lua e Edward não bebe sangue humano. Além disso, nem todos os personagens dos dois livros são dotados de poderes, então a maioria da humanidade desconhece a existência dessas criaturas mágicas. 

O segundo ponto em comum é que ambas as obras foram escritas para um público juvenil. Evidentemente, depois de lançados e ficaram conhecidos, leitores de todas as idades se interessam pelas histórias. As temáticas de vida escolar, magia, amizade, luta do bem contra o mal (HP) e virgindade, adolescência, romance, primeira vez no sexo (Crepúsculo) são voltadas, primeiramente, para o público adolescente.  
  
Outra semelhança é o triângulo que aparece nos dois livros. A série Harry Potter é focado no triângulo Harry-Ron-Hermione, enquanto Crepúsculo tem Bella-Edward-Jacob como protagonistas. Mas as semelhanças nesse aspecto param por aqui. Somente a composição dos personagens principais que é igual. Vejamos o que os livros têm de diferenças. 

Pode-se pensar que a escolha de um triângulo de personagens como protagonistas foi pensada no sentido romântico, para que consequentemente exista um conflito de interesses. Isso realmente ocorre em Crepúsculo, mas não existe em HP. Bella se apaixona por Edward, de uma forma quase insana, mas fica em dúvida dos seus sentimentos quando se aproxima de Jacob. E é essa tensão amorosa-sexual que desenvolve a história (além do amor de Bella por Edward). Outros pontos, como conflitos entre vampiros e virgindade, também são abordados, mas ficam em segundo plano. Já em HP, o triangulo principal não tem um “quê” de amor. Em nenhum momento do livro é colocado que Harry se apaixona por Hermione. Ela desenvolve sentimentos por Rony, que culminam no casamento do casal no fim da saga, mas é somente esse o romance que envolve os personagens principais enquanto triângulo. Harry se envolve amorosamente com outras personagens, mas que estão em segundo plano. 

O foco dado às histórias também é totalmente díspare.  Crepúsculo se foca, quase que em todos os 4 livros, e de forma intensa e única, no amor de Bella e Edward e de como esse romance afeta a vida dos dois. Afinal, Edward é um vampiro imortal e Bella é uma simples jovem que não viverá para sempre. Como os dois podem possivelmente ficar juntos sem que Bella seja mordida e vire uma vampira, ganhando assim a vida eterna? O romance (ainda que meloso) é combustível da história. Em HP o quesito romance fica em segundo plano, com o amor de Harry e Gina ou de Rony e Hermione. O que J. K. Rowling prioriza, em detrimento do amor, é a amizade, os benefícios de ter amigos e o que a falta deles pode causar. 

O motor do enredo em HP é a eterna luta do bem contra o mal. Harry e Voldemort estão em conflito da primeira a última página da saga e tudo culmina para que a bondade, o que é certo vença a representação da maldade, mesmo com muitos empecilhos e dificuldade nesse percurso. Em Crepúsculo essa luta é quase inexistente. Podemos dizer que Edward simboliza o bem, uma vez que não bebe sangue humano, mas o mal tem poucas representações durante a saga.  

Uma última característica que se encontra em divergência nas duas obras é como a história é narrada e suas diferentes perspectivas. Enquanto J. K. opta pelo uso da terceira pessoa do singular, de modo a descrever fatos num espaço em que é onisciente e observadora, Meyer, por sua vez, escolhe como narradora a própria personagem, tornando-a em seu eu-lírico ali submetido. No primeiro caso possibilita-se um relato dos acontecimentos além dos protagonistas, já que o enredo se adensa em outros aspectos, enquanto, no segundo, prioriza-se apenas a visão da personagem em questão, tramando apenas o que está ao alcance de sua percepção.  

Depois da avaliação das duas séries, é possível ver que, apesar de serem histórias de fantasias, ambientadas em um universo mágico e em que os protagonistas são criaturas mitológicas da cultura popular, os livros não são assim tão parecidos. Podem, e devem, sim coexistir na mesma estante. São livros bem escritos e cativantes, cada um no seu modo e com a sua história.

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

Livros aleatórios de ficção-científico-fantasiosa que merecem ser lidos - Parte II.


Por Carlos Gabriel F.

Antes de elaborar uma lista é necessário enfatizar que os itens abaixo descritos e devidamente mencionados estão sendo analisados por fatores subjetivos. Quero dizer: não foram registrados em cartório como os melhores já escritos ou que mereçam presença divina em suas respectivas estantes. Posso dizer que são livros absolutamente aleatórios, que li em um período de tempo e que creio merecer destaque aqui, neste espaço virtual que estamos criando paulatinamente.

O gênero que me chegou primeiramente à mente e que dá característica à lista é a ficção/fantasia, daqueles que narram estórias que existem apenas nas páginas amareladas e distanciam-se do plano real (quem sabe?); daquelas que criam seres novos e relacionamentos surpreendentes; que em cenários de horror traçam cenas de suspense capazes de dar vertigens; que dão vida àquilo que algum dia cientificamente possa vir a existir.

Já que estes aspectos foram mensurados (novamente. Clique aqui a conferir a primeira parte da lista), que comecemos:

Você provavelmente já se deparara com este livro em algum ponto inexperiente de sua vida, seja como preferido da sua professora de colegial ou até mesmo vagando nas estantes de alguma da biblioteca. “O Mundo de Sofia” (1991), de Jostein Gaarder, é considerado por mim, e por muitos, como um clássico da literatura. A narrativa é realizada de uma forma interativa, de modo a descrever toda a história da filosofia e despertar a consciência do leitor perante a vida e suas ciências. A trama vivida por Sofia e seu professor particular é fenomenal por fatores instigantes e únicos, criados especialmente por Gaarder. Ao começar a leitura, é melhor estar preparado para o final!

“(...) Não quero que tu pertenças à categoria dos apáticos e dos indiferentes. Quero que vivas a tua vida de forma consciente.”




Mr. X.” (1999), de Peter Straub, fora comprado por mim porque estava na mesma estante que os brochurados de Stephen King e do mesmo recebia uma ótima crítica: “A trama nos desafia, os personagens são de uma complexidade intrigante, e o estilo inconfundível”. Somos levados pelo mundo eloquente criado por Ned Dunstan e as lacunas existentes em sua vida. Sua mãe, Star, no leito da morte avisa-lhe sobre as circunstâncias perigosas em que vivia e o nome de seu pai, antes desconhecido. Em cenas vibrantes de áreas oníricas da psique humana, acompanhamos a narração de Peter Straub, que é marcada entrementes pelo horror. 

“Vocês estão certos – realmente certos – que sabem quem foi que lhes contou esta história?”




Com os holofotes virados para “Crepúsculo”, “A Hospedeira” (2008) talvez não tenha ganhado o verdadeiro reconhecimento que deveria. Stephenie Meyer, aqui mais densa e madura do que nas estórias vampirescas, concerta uma trama de um mundo dominado por seres que usam dos humanos como os seus hospedeiros. Neste plano está Melanie, uma das “selvagens” que, porventura, não sucumbira ao processo extraterrestre.  Peregrina, entretanto, é designada como “alma” para o invólucro de Melanie, que, por desacorde do destino, fora capturada. O que não se era esperado, contudo, é a sobrevivência, mesmo que mental, da humana que aquele corpo habitava. A obra de Meyer retrata um questionamento da humanidade enquanto laços fraternais e âmago sentimental: somos físico ou espiritual? Podemos mudar o que de fato somos?

“Talvez não pudesse haver felicidade neste planeta sem um peso igual de dor que deixasse tudo equilibrado em alguma balança desconhecida.”
A Vidente” (2009), Hannah Howell, é o primeiro da coleção Wherlocke Series, e dá graças para os dias de chuva, com chocolate quente ao lado da bancada e meias de lã nos pés deitados: um belo romance açucarado. Passando-se no século XVIII, Chloe Wherlocke possui o dom de ver, com antecedência, fatos ainda não realizados. Ainda em 1785, ela é capaz de visualizar a morte de sua irmã ao realizar o parto e todas as suas complicações futuras. Na tentativa de impedir o falecimento, a herdeira Wherlocke penetra ainda mais nos laços dos seus familiares, o que exigirá dela um lado heróico – força, vontade própria e capacidade de mudar os padrões impostos pelo seu contexto social-histórico.

“Bem, depois que tiverem terminado de planejar meu futuro por mim, não se esqueçam de me comunicar o que decidiram! Então direi aos dois exatamente o que eu acho! De modo sucinto!”


O Chamado de Cthulhu e Outros Contos” (2010) é uma organização de Guilherme da Silva Braga para os contos de H. P. Lovecraft – o autor que, ao lado de Edgar Allan Poe, elevou a literatura dos contos fantásticos ao patamar da arte no século XIX. O brochurado reúne sete contos do autor, entre eles “Dagon”, talvez o mais conhecido texto de Lovecraft, que narra o encontro do personagem com o que se pensa ser a representação dos deuses de alguma tribo primitiva de navegadores. Lovecraft soube, em sua vida, como enegrecer o real; como estar frente ao seu tempo e criar cientificidade nas páginas; como deixar para a humanidade uma grande fonte de literatura clássica.

“Escrevo essa história sob uma pressão mental considerável, uma vez que hoje à noite me apago.”