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quinta-feira, 19 de julho de 2012

540 arrepios.


Por Arthur Franco

Stephen King não é um nome que passa batido. No gênero terror, tanto na literatura quanto no cinema e em séries televisivas, o autor é um dos nomes mais conhecidos, publicando sucessos como Carrie, a Estranha, O Iluminado e Cemitério Maldito.

O primeiro livro de King que caiu nas minhas mãos foi o que justamente o que mais me aterrorizou. Desespero, com suas 540 páginas, narra a história de um casal viajando pela auto-estrada mais solitária dos EUA, a Rodovia 50. Um gato morto espetado em uma placa na estrada já antecede quão sombria será a viagem. Quando eles chegam a cidade de Desespero, em Nevada, descobrem que várias pessoas foram levadas para lá pelo xerife Collie Entragian, um homem determinado a fazer de tudo para que a sua lei seja cumprida. E é justamente nessa cidade que se dá uma luta entre o bem e o mal, o apocalipse entre Deus e o demônio. Todos aqueles presos na cidade pela mão do xerife vão descobrir o verdadeiro sentido da palavra desespero.


King não é poético. É frio, objetivo e duro com as palavras. As suas descrições são as mais precisas possíveis e seus personagens reais. O terror é verdadeiro através das suas palavras e o medo transcende as páginas do livro. O leitor consegue visualizar as cenas sanguinolentas, o desespero dos personagens, o temor pelo xerife. Apesar de longo, o livro prende pela sua narrativa rápida e pela necessidade de descobrir quem ganhará a derradeira batalha. 

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

Livros aleatórios de ficção-científico-fantasiosa que merecem ser lidos - Parte III.


Por Carlos Gabriel F.

Antes de elaborar uma lista é necessário enfatizar que os itens abaixo descritos e devidamente mencionados estão sendo analisados por fatores subjetivos. Quero dizer: não foram registrados em cartório como os melhores já escritos ou que mereçam presença divina em suas respectivas estantes. Posso dizer que são livros absolutamente aleatórios, que li em um período de tempo e que creio merecer destaque aqui, neste espaço virtual que estamos criando paulatinamente.

O gênero que me chegou primeiramente à mente e que dá característica à lista é a ficção/fantasia, daqueles que narram estórias que existem apenas nas páginas amareladas e distanciam-se do plano real (quem sabe?); daquelas que criam seres novos e relacionamentos surpreendentes; que em cenários de horror traçam cenas de suspense capazes de dar vertigens; que dão vida àquilo que algum dia cientificamente possa vir a existir.

Já que estes aspectos foram mensurados (novamente. Confira a primeira lista e a segunda!), que comecemos:

Prefiro o título em inglês que não tende a ser semelhante àquele-famigerado-e-famoso-livro-da-criminosa: “Florence and Giles” (2010). John Harding, influenciado pelas suas inspirações, Edgar Allan Poe e Henry James, cria em “A menina que não sabia ler” uma estória muitas vezes considerada mórbida, mas que nos leva à ebulição aos cruzar por cenas de suspense sombrio e mistérios. Florence, uma garota órfã de doze anos, é nos apresentada por si própria como uma amante dos livros, tendo como lugar favorito a biblioteca de sua torre. O lugar em que habita, a mansão Blithe, é circundada por segredos não revelados. Encontramos nesta trama a Senhorita Taylor, uma enigmática mulher com a função de cuidar das crianças, principalmente de seu irmão menor, Giles. É nesta mulher desconhecida que Florence enxerga seus medos e receios, pois se percebe cada vez mais distante do seu laço fraternal. A escrita de John é marcante e crua a fim de nos revelar o quão cruel pode ser o imaginário de um infante. Ao final das últimas palavras iremos nos perguntar: o que é verdade, o que foi perspectiva, o que de fato aconteceu durante estas escritas? Acredita-se na ingenuidade infantil ou contempla-se a obra com um olhar adulto de racionalidade?

“É uma história curiosa a que tenho de contar, uma história de difícil absorção e entendimento, por isso é uma sorte que eu tenha as palavras para cumprir a tarefa.”

Zig Zag” (2006) é de terras espanholas: foi escrito por José Carlos Somoza e chegou até a mim por meio da indicação uma amiga queridíssima de longe. Ela dizia sobre o quão o livro é bem traçado e a estória magnífica. E assim se foi. A brochura trata de assuntos que tanto tenho por favoritismo: viagem ao tempo, universo e Teoria das Cordas. O texto de Somoza acompanha um grupo de cientistas que tenta obter imagens cruciais do passado – desde a época dos dinossauros até a crucificação de Jesus Cristo – a partir das partículas de luz. A professora Elisa Robledo não esperava, entretanto, se deparar com questões tão devastadoras com os efeitos colaterais de sua pesquisa; os cientistas não esperavam, sobretudo, que criassem um monstro que vive à sombra e mata à sangue frio cada participante do projeto.

“A luz dessas estrelas demora milhões de anos para chegar à Terra – explicou ela. – Pode ser que não existam mais, mas nós continuaremos a vê-las durante muito tempo... Cada vez que olhamos para o céu à noite retrocedemos milhões de anos. Podemos viajar no tempo simplesmente olhando por uma janela.”

Mais uma vez Rick Riordan volta ao blog com os seus livros de divindades. Enquanto em Percy tínhamos o Olimpo como tópico, no livro “A Pirâmide Vermelha” (2010) temos como foco os deuses egípcios. Desta vez acompanhamos a saga de Dr. Julius Kane e seus dois filhos, Carter e Sadie Kane. A estória se inicia com a visita do Dr. a sua filha em Londres com o intuito de levar seus dois primogênitos ao British Museum em plena época natalina. Mas nem tudo sai como o esperado: Julius Kane evoca uma figura misteriosa e ambos, repentinamente, desaparecem. A aventura dos irmãos começa, deste modo, numa tentativa de resgatar o seu pai. É nessa aventura que descobrem segredos que envolvem suas famílias e a Casa da Vida, uma ordem secreta que existe há séculos. A brochura é o primeiro da coleção intitulada como “As Crônicas de Kane”. 

“Não, querida. Como sempre, o mundo moderno inverteu tudo. Preto é a cor do solo bom, como o do Nilo. É possível plantar alimentos na terra preta. E comida é uma coisa boa. Portanto, preto é bom. Vermelho é a cor da areia do deserto. Nada cresce no deserto. Portanto, vermelho é ruim.”

Deusa do Mar” (2003) é o primeiro romance de uma longa série  nomeada como“Goddess”, com já oito lançamentos. P. C. Cast invoca mais uma vez o seu feminismo marcante ao descrever o mito da sereia Ondina, mas com seu diferencial numa abordagem contemporânea. Christine Canady é uma solitária mulher que, na data do seu aniversário, recita uma invocação para adquirir ânimo em seu ócio diário; o que a sargento da Força Aérea Americana não imaginava era que tudo se tornaria realidade a partir do momento em seu avião caísse no oceano para ela se tornar uma personagem em um tempo legendário, administrado pela magia e pela mitologia.

“Lembre-se que eu estarei aqui – ele disse de modo resoluto. — Pela eternidade, Christine. Eu sou capaz de esperá-la pela eternidade.”



Mais uma vez o mestre Stephen King aparece nas listas de ficção pela sua excelência no assunto, desta vez representado com “O Apanhador de Sonhos” (2001), que até virou filme em meados de 2003. Lemos aqui a estória de quatro jovens que após salvarem uma criança especial do bullying, adquirem fortes poderes empáticos e, sobretudo, de ligações telepáticas. Anos após o acontecido, os quatro se veem aprisionados por uma nevasca em uma cabana nas florestas do Maine (sempre o maldito Maine!). Com uma narração que transgride entre o passado e o presente, King nos apresenta um universo em que alienígenas estão tentando controlar a mente da população terrestre a fim de atingir o patamar mundial de inspeção. Os personagens tramam não apenas uma batalha física contra o desconhecido, mas também mental, onde terão que recorrer à infância para encontrar a salvação.

P.s.: os extraterrestres adoram bacon – pelo menos eles tinham um ótimo gosto gastronômico. 

“Sometimes we have to kill, but our real job is to save lives.”


sábado, 11 de fevereiro de 2012

“Thinner”


Por Arthur Franco

“Thinner”. Foi a frase que, acompanhada de um beijo na bochecha, mudou completamente a vida de Billy Halleck. A Maldição do Cigano foi inicialmente publicado em 1984 sob o pseudônimo de Richard Bachman. Quando então foi revelado que o seu verdadeiro autor era Stephen King, as vendas subiram bastante. O filme ganhou uma adaptação cinematográfica de 1996, que no Brasil ganhou o nome de A Maldição.

Billy Halleck, advogado até então bem sucedido e feliz ao lado da esposa Heidi e da filha Linda, só tinha como problema a sua obesidade. Até um dia que atropelou uma cigana, que, segundo ele “surgiu do meio de dois carros”. O fato é que, enquanto dirigia, sua esposa o entretinha sexualmente. Desse jeito, não havia mesmo como parar o carro quando a cigana apareceu no meio da rua.

Levado aos tribunais para pagar pelo seu erro, Billy é absolvido por um juiz amigo, que decide que tudo não passou de um acidente. Inconformado com a justiça dos homens, Taduz Lemke, o pai da cigana atropelada, resolve fazer a justiça dos ciganos.  

“Emagrecido. E antes que Halleck possa recuar, o velho cigano estira o braço e acaricia-lhe a face com um dedo torcido. Os lábios dele entreabrem-se como uma ferida, exibindo alguns cacos de dentes que despontam das gengivas, à maneira de lousas tumulares quebradas. Cacos de dentes enegrecidos e esverdeados. A língua do velho se esgueira por entre eles e então desponta, para lamber os amargos lábios sorridentes.”

Billy então, sem acreditar na maldição, vê o ponteiro da balança descer a cada dia. Maldições não existem, pensava ele. Mas quando ele descobre que os outros envolvidos no julgamento também passam a sofrer estranhas transformações, Billy fica aterrorizado. Seus 113 quilos estão simplesmente evaporando e a cada dia o advogado ganha um aspecto mais cadavérico, apesar de sempre comer mais e mais. 

O único que pode reverter essa situação é Taduz Lemke, mas não vai ser fácil convencê-lo. Billy se junta com o seu amigo mafioso Richard Ginnelle e juntos vão cruzar meio país atrás do cigano. E quando o encontrarem, Billy vai ter de provar que já pagou pelos seus pecados. Mas será que Taduz é capaz de perdoá-lo pela morte de sua filha?

Durante a leitura, as noções de justiça, vingança e culpa são colocadas a prova e dialogadas com o terror e o medo da morte. A partir do momento que Billy vê que está perdendo peso de uma forma inimaginável e toma noção de que se continuar assim vai morrer logo, o advogado começa a pensar no que fez e no modo que leva a vida. É um reflexo do popular ditado “a justiça tarda, mas não falha”. Porque, nas palavras do cigano Taduz, “todo mundo paga, homem branco da cidade  –  mesmo por coisas que não fez. Porque, de fato, é assim que tem de ser.“