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quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

Livros aleatórios de ficção-científico-fantasiosa que merecem ser lidos - Parte III.


Por Carlos Gabriel F.

Antes de elaborar uma lista é necessário enfatizar que os itens abaixo descritos e devidamente mencionados estão sendo analisados por fatores subjetivos. Quero dizer: não foram registrados em cartório como os melhores já escritos ou que mereçam presença divina em suas respectivas estantes. Posso dizer que são livros absolutamente aleatórios, que li em um período de tempo e que creio merecer destaque aqui, neste espaço virtual que estamos criando paulatinamente.

O gênero que me chegou primeiramente à mente e que dá característica à lista é a ficção/fantasia, daqueles que narram estórias que existem apenas nas páginas amareladas e distanciam-se do plano real (quem sabe?); daquelas que criam seres novos e relacionamentos surpreendentes; que em cenários de horror traçam cenas de suspense capazes de dar vertigens; que dão vida àquilo que algum dia cientificamente possa vir a existir.

Já que estes aspectos foram mensurados (novamente. Confira a primeira lista e a segunda!), que comecemos:

Prefiro o título em inglês que não tende a ser semelhante àquele-famigerado-e-famoso-livro-da-criminosa: “Florence and Giles” (2010). John Harding, influenciado pelas suas inspirações, Edgar Allan Poe e Henry James, cria em “A menina que não sabia ler” uma estória muitas vezes considerada mórbida, mas que nos leva à ebulição aos cruzar por cenas de suspense sombrio e mistérios. Florence, uma garota órfã de doze anos, é nos apresentada por si própria como uma amante dos livros, tendo como lugar favorito a biblioteca de sua torre. O lugar em que habita, a mansão Blithe, é circundada por segredos não revelados. Encontramos nesta trama a Senhorita Taylor, uma enigmática mulher com a função de cuidar das crianças, principalmente de seu irmão menor, Giles. É nesta mulher desconhecida que Florence enxerga seus medos e receios, pois se percebe cada vez mais distante do seu laço fraternal. A escrita de John é marcante e crua a fim de nos revelar o quão cruel pode ser o imaginário de um infante. Ao final das últimas palavras iremos nos perguntar: o que é verdade, o que foi perspectiva, o que de fato aconteceu durante estas escritas? Acredita-se na ingenuidade infantil ou contempla-se a obra com um olhar adulto de racionalidade?

“É uma história curiosa a que tenho de contar, uma história de difícil absorção e entendimento, por isso é uma sorte que eu tenha as palavras para cumprir a tarefa.”

Zig Zag” (2006) é de terras espanholas: foi escrito por José Carlos Somoza e chegou até a mim por meio da indicação uma amiga queridíssima de longe. Ela dizia sobre o quão o livro é bem traçado e a estória magnífica. E assim se foi. A brochura trata de assuntos que tanto tenho por favoritismo: viagem ao tempo, universo e Teoria das Cordas. O texto de Somoza acompanha um grupo de cientistas que tenta obter imagens cruciais do passado – desde a época dos dinossauros até a crucificação de Jesus Cristo – a partir das partículas de luz. A professora Elisa Robledo não esperava, entretanto, se deparar com questões tão devastadoras com os efeitos colaterais de sua pesquisa; os cientistas não esperavam, sobretudo, que criassem um monstro que vive à sombra e mata à sangue frio cada participante do projeto.

“A luz dessas estrelas demora milhões de anos para chegar à Terra – explicou ela. – Pode ser que não existam mais, mas nós continuaremos a vê-las durante muito tempo... Cada vez que olhamos para o céu à noite retrocedemos milhões de anos. Podemos viajar no tempo simplesmente olhando por uma janela.”

Mais uma vez Rick Riordan volta ao blog com os seus livros de divindades. Enquanto em Percy tínhamos o Olimpo como tópico, no livro “A Pirâmide Vermelha” (2010) temos como foco os deuses egípcios. Desta vez acompanhamos a saga de Dr. Julius Kane e seus dois filhos, Carter e Sadie Kane. A estória se inicia com a visita do Dr. a sua filha em Londres com o intuito de levar seus dois primogênitos ao British Museum em plena época natalina. Mas nem tudo sai como o esperado: Julius Kane evoca uma figura misteriosa e ambos, repentinamente, desaparecem. A aventura dos irmãos começa, deste modo, numa tentativa de resgatar o seu pai. É nessa aventura que descobrem segredos que envolvem suas famílias e a Casa da Vida, uma ordem secreta que existe há séculos. A brochura é o primeiro da coleção intitulada como “As Crônicas de Kane”. 

“Não, querida. Como sempre, o mundo moderno inverteu tudo. Preto é a cor do solo bom, como o do Nilo. É possível plantar alimentos na terra preta. E comida é uma coisa boa. Portanto, preto é bom. Vermelho é a cor da areia do deserto. Nada cresce no deserto. Portanto, vermelho é ruim.”

Deusa do Mar” (2003) é o primeiro romance de uma longa série  nomeada como“Goddess”, com já oito lançamentos. P. C. Cast invoca mais uma vez o seu feminismo marcante ao descrever o mito da sereia Ondina, mas com seu diferencial numa abordagem contemporânea. Christine Canady é uma solitária mulher que, na data do seu aniversário, recita uma invocação para adquirir ânimo em seu ócio diário; o que a sargento da Força Aérea Americana não imaginava era que tudo se tornaria realidade a partir do momento em seu avião caísse no oceano para ela se tornar uma personagem em um tempo legendário, administrado pela magia e pela mitologia.

“Lembre-se que eu estarei aqui – ele disse de modo resoluto. — Pela eternidade, Christine. Eu sou capaz de esperá-la pela eternidade.”



Mais uma vez o mestre Stephen King aparece nas listas de ficção pela sua excelência no assunto, desta vez representado com “O Apanhador de Sonhos” (2001), que até virou filme em meados de 2003. Lemos aqui a estória de quatro jovens que após salvarem uma criança especial do bullying, adquirem fortes poderes empáticos e, sobretudo, de ligações telepáticas. Anos após o acontecido, os quatro se veem aprisionados por uma nevasca em uma cabana nas florestas do Maine (sempre o maldito Maine!). Com uma narração que transgride entre o passado e o presente, King nos apresenta um universo em que alienígenas estão tentando controlar a mente da população terrestre a fim de atingir o patamar mundial de inspeção. Os personagens tramam não apenas uma batalha física contra o desconhecido, mas também mental, onde terão que recorrer à infância para encontrar a salvação.

P.s.: os extraterrestres adoram bacon – pelo menos eles tinham um ótimo gosto gastronômico. 

“Sometimes we have to kill, but our real job is to save lives.”


sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

Os dois Ladrões.


Por Carlos Gabriel F.

Ao descobrir que os nossos livros preferidos se tornarão filmes, ou até mesmo seriados televisivos, encantamo-nos e tornamos expectativa enquanto previsão futura de que a adaptação venha a ser com exatidão aquilo que imaginara enquanto lia a brochura em algum tempo passado. Esperamos por tempos intermináveis de que aquele material produzido em conjunto a um diretor e roteirista se torne de tamanha primazia que nos sacie enquanto leitores insaciáveis. Mas a verdade seja dita: isso nunca acontece. “Nunca”, deixem-me generalizar. Seja por questões subjetivas ou porque somos demasiadamente exigentes, as nossas obras, retratadas numa tela qualquer de cinema, não condizem com o que havíamos imaginado. Os filmes são bons se muita das vezes analisados por fatores como a atuação dos atores ou a fotografia utilizada no longa, mas deixa de ganhar a sua merecida magia por não corresponder àquilo que queríamos. Esse complexo entre filme versus livro é um estigma nas nossas vidas – e muitas das vezes também um ciclo vicioso: nunca nos cansamos de esperar por algo que venha a contrariar todo o nosso conceito formado acerca deste assunto.


Se for pra falar de adaptações, que comecemos por “Percy Jackson e o Ladrão de Raios”, escrito por Rick Riordan, (que já apareceu por aqui em outrora nos “Livros aleatórios de ficção-científico-fantasiosa que merecem ser lidos - Parte I”), que foi adaptado aos cinemas em 2010 pela direção de Chris Columbus – aquele mesmo que também levou para as telas, enquanto produtor e diretor, as três primeiras edições da saga Harry Potter. No papel de Percy Jackson encontramos Logan Lerman, como Grover Underwood temos Brandon T. Jackson e, por fim, Alexandra Daddario interpretando Annabeth Chase. Acredito que a primeira divergência entre livro e filme começa-se por este aspecto: a escolha dos atores e atrizes. Logan assemelha-se à descrição de Percy, mas peca ao retratá-lo como um jovem de dezessete anos enquanto nosso original tinha sequer doze; Grover, por sua vez, é ruivo de cabelo encaracolado, com um sino ao pescoço e olhos azuis, enquanto Brandon é negro, com cabelos curtos e pretos; Annabeth, pela última decepção, é retratada por Rick como loira, de olhos cinzentos e de idade de Percy, enquanto nos olhos de Chris, a personagem se torna mais velha com madeixas acastanhadas. 

São tantas as comparações, são tantas as decepções, que retratarei apenas as principais, aquelas que, não entendo como, foram deixadas de lado em um filme de cento e vinte minutos e que irão, de algum modo, danificar as próximas adaptações – se elas de fato vierem a existir – que são “O Mar de Monstros”, “A Maldição do Titã”, “A Batalha do Labirinto” e “O Último Olimpiano”. 

Primeiramente, o Acampamento Meio-Sangue é descrito como um belo lugar em uma planície localizado no meio de colinas, com construções de arquitetura grega de extrema beleza, com vastos campos de plantações rasteiras, circundadas por florestas; na película, de outra forma, a área assemelha-se mais a uma grande selva insípida. 

Personagens importantes foram deixados fora da trama visual, como Clarisse – que causaria em Percy a experiência de ser capaz de controlar a água, mesmo que de modo rudimentar, e também será esta que acompanhará o protagonista em outras aventuras nos livros conseguintes –, Oráculo de Delfos – responsável pelas principais previsões ao longo da série –, Cronos – ex-divindade suprema que será o malvado em momentos posteriores – e Sr. D – diretor do acampamento e de quem Percy ouviu bons conselhos.

Percy em um momento oportuno, descobre a sua filiação divina de modos absurdamente diferentes. Nos escritos, o menino percebe o símbolo a pairar sobre sua cabeça após uma disputa tradicional entre as diferentes casas do reino, enquanto no longa, o responsável por contar ao jovem é Quíron, o centauro diretor de atividades do acampamento.

Uma das diferenças principais entre as duas obras – porque é assim que as vejo: duas obras, com enredos similares, contexto semelhante, mas com diferenças tamanhas que se divergem a pontos opostos –, e digna de ser citada, é o responsável pelo roubo do Raio. Enquanto no filme temos um jovem como apontado – o vilão, sim, de muitos dos atos cometidos tanto no primeiro como nos livros próximos –, na brochura temos um Deus olimpiano.

As divergências são tamanhas, de fato, mas não impedem de que o filme seja desprezível, já que conta com ótimas cenas de aventura e lutas gráficas de tirar o fôlego. Para aqueles que não temem pela decepção ou não tenham mente uma comparação a ser feita, é uma ótima escolha para o final de semana, mas para aqueles que são aficionados pela saga riordiana, imagino que será uma grande decepção.