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sexta-feira, 4 de maio de 2012

Livros aleatórios de ficção-científico-fantasiosa que merecem ser lidos - Parte VII.


Por Carlos Gabriel F.

Antes de elaborar uma lista é necessário enfatizar que os itens abaixo descritos e devidamente mencionados estão sendo analisados por fatores subjetivos. Quero dizer: não foram registrados em cartório como os melhores já escritos ou que mereçam presença divina em suas respectivas estantes. Posso dizer que são livros absolutamente aleatórios, que li em um período de tempo e que creio merecer destaque aqui, neste espaço virtual que estamos criando paulatinamente.

O gênero que me chegou primeiramente à mente e que dá característica à lista é a ficção/fantasia, daqueles que narram estórias que existem apenas nas páginas amareladas e distanciam-se do plano real (quem sabe?); daquelas que criam seres novos e relacionamentos surpreendentes; que em cenários de horror traçam cenas de suspense capazes de dar vertigens; que dão vida àquilo que algum dia cientificamente possa vir a existir.

Já que estes aspectos foram mensurados (novamente. Confira a parte I, II, III, IV, V e VI! que comecemos):

Para descrever Ken Follett eu utilizaria a palavra “catedrais”. Não como uma parte religiosa fervorosa que vê necessidade em se traduzir em palavras, mas como evento social. Datada na Idade Média, é envolta de uma que “Mundo Sem Fim” (2007) começa. O autor mais uma vez nos leva através de histórias incríveis, sendo uma delas o ápice inicial: quatro crianças presenciam o assassinato de um homem em uma floresta nas redondezas do condado de Kingsbridge. E como bem sabe fazer Ken Follett, este crime ligará os personagens durante as novecentas próximas páginas – recheadas de ação, intrigas, guerras, romances inesperados: atacados pela peste negra. 

“You see, all that I ever held dear has been taken from me," she said in a matter-of-fact tone. "And when you've lost everything-" Her facade began to crumble, and her voice broke, but she made herself carry on. "When you've lost everything, you've got nothing to lose.”

José Saramago volta mais uma vez na lista para apresentar “ Claraboia” (publicado em 2011, mas escrito em 1953), rejeitado a priori pelo seu editor no início de sua carreira, mas que foi dado à luz na contemporaneidade. Sob o pseudônimo de Honorato, conhecemos, com uma literatura jovial, a origem daquilo que viria a se tornar o crítico autor. A história em si é simplista, como boa parte de suas outras: em Lisboa um prédio é habitado por seus mais diferentes condôminos; interligados pelos corredores, portas e janelas, os personagens aqui representados administram suas diferentes escolhas e modos de vida, o que, na linguagem de Saramago, torna-se um surpreende estrondo de contrapontos. 

“Aproximou-se da janela e abriu-a. Na rua, mesmo em frente, estava um rapaz, à chuva. Rosália fechou a janela com estrondo. Ia ralhar, mas deu com os olhos da filha, postos em si, uns olhos frios onde parecia brilhar a malignidade do rancor. Atemorizou-se. Maria Cláudia, sem pressas, tirava o impermeável. Algumas gostas de água tinham molhado o tapete.”

Impossível não gostar de ficção e não ter pego em mãos um livro do Sidney Sheldon. Comecei com “O Reverso da Medalha” (1982) e admirei tanto como esse homem é capaz de tirar regozijo literário do simples nada. Nesta brochura, o autor nos leva até a África do Sul para então começar a história de McGregor e como se sucederia futuramente sua multinacional, com as gêmeas Eve e Alexandra. O enredo é marcado por controversas e tentativas de assassinato entre familiares com o simples e único objetivo de manter o poder em modo individual. O que move a família McGregor é a fome pela vingança, o mundo a ser conquistado. 

“O leão faminto dissimula as garras. Modificaremos tudo isso no momento apropriado. O branco aceita o preto porque precisa dos seus músculos, mas tem de se habituar a aceitar-lhe também os miolos.Quanto mais nos empurra para um canto, maior o medo que lhe inspiramos, porque sabe que um dia poderá haver discriminação e humilhação de sinal contrário, perspectiva que se recusa a admitir.”

Que venha mais uma vez o rei do feroz do macabro. “It: A Coisa” (1986) de Stephen King conta a história, mais uma vez macabra, de sete indivíduos que, enquanto crianças, depararam-se com uma criatura centenária que consumia o medo e alterava sua forma. Após trinta anos, a criatura volta a assustar outras crianças, e os sete sujeitos, como haviam prometido, juntam-se para combater aquele que te marcaram – o que coloca em absoluto as suas sobrevivências. Aqui percebemos a peculiaridade de Stephen ao se mostrar tão capaz de uma descrição bem elaborada e peculiar, datada como a obra prima do medo.

“Naturalmente, ele não contara isso a ninguém. Nada no mundo o faria contar, nada o induziria a revelar sua fantasia secreta, escondida bem no fundo do coração. Se pudesse enunciar a frase que ela lhe ensinara casualmente, certa manhã, quando ela e Georgie estavam sentados, vendo Guy Madison e Andy Devine em As Aventuras de Wild Bill Hickok, aquilo seria como o beijo que despertara a Bela Adormecida de seus sonhos frios para o caloroso mundo do amor do príncipe no conto de fadas.”

A Breve Segunda Vida de Bree Tanner” (2010), de Stephenie Meyer, provavelmente é seu segundo melhor livro – já que “A hospedeira” veio em primeiro. O livro é narrado de forma direta, em um único bloco de texto em cento e noventa páginas, sem divisões em capítulos. Nossa personagem que, como já sabemos, morre ao final de “Eclipse”, aqui é demonstrada como nunca antes: sua personalidade, vida, sentimentos e demonstrações são exibidas à degustação literária. Apaixonamo-nos por Bree e evitamos o final inconsequente; criamos expectativas de que a última frase, de algum modo, seja alterado para o bel-prazer dos leitores. 

“No segundo em que os dedos de Diego encontraram o raio de luz, a caverna foi invadida por um milhão de reflexos brilhantes e coloridos, um verdadeiro arco-íris. A claridade era como a luz do meio-dia em uma sala de vidro – havia luz para todos os lados. Eu me encolhi e um tremor percorreu meu corpo. Estava completamente coberta pela luz do sol.”

quarta-feira, 2 de maio de 2012

Nas conspirações de Dan Brown.


por Arthur Franco 

Dan Brown já encabeçou listas e mais listas de livros mais vendidos. Já fez a façanha de colocar quatro de suas obras ao mesmo tempo na lista dos mais vendidos do The New York Times. Teve dois de seus livros transformados em filmes de absoluto sucesso e já foi eleito uma das 100 pessoas mais influentes pela Revista Time em 2005.

Suas obras seguem quase sempre o mesmo roteiro e a mesma linha "conspiratória". Começam com um primeiro capítulo que propõe uma morte, um mistério, uma pergunta sem resposta, que acaba por ser a trama principal do livro. Além disso, o fato de alternar histórias entre os curtos capítulos faz com que o leitor sempre engate a leitura, ansioso pelas próximas páginas. Mas o verdadeiro gancho que deixa o público ansioso pela próxima obra é o enredo. Suas histórias não beiram o “comum” nem o marasmo. Existe sempre um segredo, um novo enigma a ser revelado e uma conspiração. Vamos então à lista do melhor (e pior) de Dan Brown. 


Anjos e Demônios (2003)

O primeiro livro de Robert Langdon, simbologista presente em três outras obras, é o segundo escrito por Dan Brown. A história se desenvolve a partir da morte de um cientista suíço no CERN, um centro para a pesquisa de energia nuclear. No peito do falecido, uma marca feita a ferro quente. A investigação leva Langdon ao Vaticano, onde descobre que a antiga fraternidade dos Illuminati pretende se vingar da Igreja Católica. A adaptação cinematográfica é de 2009 e recebeu boas críticas.



O Símbolo Perdido (2009)

O mais recente livro de Dan Brown tem previsão para estrear nos cinemas no máximo no ano que vem. Nesse romance temos a volta de Robert Langdon e dessa vez a conspiração muda para a América, girando em torno da maçonaria e de um objeto que poderia dar poderes sobre-humanos àquele que o encontrar. Atenção especial para a história que mexe com o conceito de noética, uma disciplina que estuda questões como morte, espírito, entre outros, a partir do ponto de vista científico.

O Código Da Vinci (2003)

O maior sucesso de Dan Brown, com mais de 30 milhões de cópias vendidas. O seu êxito se deve ao modo que o autor aborda uma das mais antigas instituições: a Igreja Católica. Na segunda aventura de Langdon temos a morte de um curador do museu do Louvre, fato que leva o simbologista a encontrar mensagens ocultas nas obras de Leonardo Da Vinci. O livro explora a existência do Priorado de Sião, uma sociedade secreta destinada a guardar o mais poderoso segredo da humanidade. A adaptação para os cinemas é de 2006. 



Fortaleza Digital (1998)

O livro de estréia de Dan Brown teve pouca fama quando lançando, vendendo só 10 mil exemplares. Mas foi sucesso total depois do polêmico O Código Da Vinci. Dessa vez temos o supercomputador da Agência de Segurança Nacional, nos EUA, que se depara com um código que não consegue quebrar. É chamada então a criptografa Susan Fletcher, que descobre que a Agência está sendo mantida como refém. Começa então uma corrida contra o tempo antes que algum dano seja feito à Agência Central de Inteligência, a CIA, responsável pela segurança nacional.

Ponto de Impacto (2001)

De longe o livro mais fraco de Dan Brown.  O enredo não é tão cativante com o dos outros livros, mas ainda merece certo crédito. Quando um satélite da NASA descobre um objeto enterrado no Ártico, cientistas são enviados, juntamente com a analista Rachel Sexton. Ao chegar lá ela se depara com uma terrível revelação que pode mudar o modo que olhamos para o resto do universo. Quando ela passa a ser seguida por assassinos profissionais, Rachel precisa revelar a conspiração antes que seja tarde demais.  

sábado, 14 de abril de 2012

Livros aleatórios de ficção-científico-fantasiosa que merecem ser lidos - Parte VI.


Por Carlos Gabriel F.

Antes de elaborar uma lista é necessário enfatizar que os itens abaixo descritos e devidamente mencionados estão sendo analisados por fatores subjetivos. Quero dizer: não foram registrados em cartório como os melhores já escritos ou que mereçam presença divina em suas respectivas estantes. Posso dizer que são livros absolutamente aleatórios, que li em um período de tempo e que creio merecer destaque aqui, neste espaço virtual que estamos criando paulatinamente.

O gênero que me chegou primeiramente à mente e que dá característica à lista é a ficção/fantasia, daqueles que narram estórias que existem apenas nas páginas amareladas e distanciam-se do plano real (quem sabe?); daquelas que criam seres novos e relacionamentos surpreendentes; que em cenários de horror traçam cenas de suspense capazes de dar vertigens; que dão vida àquilo que algum dia cientificamente possa vir a existir.

Já que estes aspectos foram mensurados (novamente. Confira a parte I, II, III, IV e V! que comecemos):

A Hora da Estrela” (1977) provavelmente é o livro mais lido-conhecido-citado de Clarice Lispector,  sim?! E, porventura, também o meu primeiro e um dos favoritos. O modo como a autora começa o seu capítulo, explodindo-se em si em uma última busca frenética de representação subjetiva em folhas sujas de nanquim com sentimentalismo exacerbado, é magnífico. Como começar pelo início, se as coisas acontecem antes de acontecer? Se na pré-pré-história já havia os monstros apocalípticos? Se a história não existe, passará a existir. Lispector traça a bela imagem de Macabéa, vívida no Rio de Janeiro,  em que aos olhos da introspecção do narrador (aqui tratado como Rodrigo S.M. – pseudônimo utilizado a priori pela autora) se torna algo grandioso, indeciso e volumoso. Encontramo-nos com romances ao longo do caminho e incertezas que circundam não apenas a nossa protagonista, mas também nós, que nos vemos mais uma vez representados em uma grande obra. 

“Será há veracidade nela – e é claro que a história é verdadeira embora inventada – que cada um reconheça em si mesmo porque todos nós somos um (...)”

Falemos de clássicos por um momento oportuno de felicidade? Nessa Era cibernética de queda superestimada da valorização do papel, quem tem dinheiro para livros redundantemente caros é rei. É nesse contexto de extrema indelicadeza monetária que procuro aproveitar todas as promoções possíveis: “O Senhor dos Anéis – A Sociedade do Anel” (1954), do aplaudido J. R. R. Tolkien, não ficou de fora. O livro retrata um novo mundo, uma perspectiva tão bem criada – com diferentes dialetos e culturas excêntricas – que nos regozija enquanto literatura. No primeiro livro da trilogia, Frodo Baggins fica responsável, junto à seus companheiros, de destruir O anel no único lugar possível: nas lavas do vulcão de Mordor. 

“Não devemos nos questionar porque algumas coisas nos acontecem e, sim,  o que podemos fazer com o tempo que nos é dado.”


Depois de me apaixonar pela narrativa de José Saramago em “Ensaio sobre a Cegueira”, a vida me levaria aos poucos, aos tropeços e desvios necessários, para suas outras obras também de tamanha primazia. Recomendaram-me “A Caverna” (2001). Tenho por mim teoricamente que “A Caverna”, “Ensaio sobre a Cegueira” e, por fim, “Ensaio sobre a Lucidez” traçam, respectivamente, uma grande emersão em direção a luz – vislumbra-se, na primeira brochura, a narração de uma grande escuridão, em quesitos de conhecimento, que vai se dissipando, em intermediário com a cegueira,  até encontrar o verdadeiro fulgor na lucidez. “A Caverna”, pois bem, trata de um oleiro, um guarda e sua noiva fabricando louças artesanais que aos poucos vão sendo rejeitadas numa sociedade cada vez mais industrializada. A parábola social de Saramago aqui voa em direção à Platão para nos explicar a fluidez da contemporaneidade – com seus shoppings sem janelas e ar enlatado.

“‘Que estranha cena descreves e que estranhos prisioneiros. São iguais a nós.’”

A Farsa” (2008) de Christopher Reich, primeiro de uma trilogia, é uma forma legal de se aventurar em um romance policial. O seu enredo, por vezes óbvio – o que não faz com que o livro deixe de ser original –, é entremeado de fatores que personificam um bom livro de ação: guerras, terrorismo, politicagem, traições e espionagem. A sua narrativa, intercalada entre a perspectiva de diferentes personagens, é constantemente marcada pelo extraordinário. São nos Alpes suíços que as histórias começam. Jonathan Ransom e sua esposa, Emma, praticavam seu esporte favorito quando são surpreendidos por uma avalanche. A mulher, ferida, morre com o acidente e faz do futuro do seu marido um verdadeiro baú de surpresas, em que cada passo tomado se é revelado um segredo. 

“Apesar da longa viagem, a borboleta ignorou as flores. Não buscou seu pólen de cheiro forte nem se deleitou com seu doce néctar. Em vez disso, decidiu voar mais alto (...)”

Na minha lista de livros cronologicamente lidos, “O Testamento” (2006) de Eric Van Lustbader encontra-se com primazia como o terceiro. Havia finalizado “O Código da Vinci” e procurava em desespero por algo que tivesse a mesma angulação retratada por Dan Brown. Lustbader bebe da mesma fonte que o autor, mas muitas das vezes de modo mais retraído, conciso e bonito. “O Testamento” retrata Braverman Shaw, que perde o pai em um brutal assassinato. Ainda ressentido pela perda, mesmo quando sua relação com seu progenitor não tenha sido exemplar ao longo das décadas, o personagem descobre que ele era membro alto escalão da Ordem dos Observantes Gnósticos e que tinha por principal função a proteção de escritos sagrados – entre eles o Testamento de Cristo. Nessa viagem de Lustbader, acompanhamos, frenéticos, a busca por entendimento de um filho que perdeu um pai distante. 

“Quando ele se virou, Dexter Shaw tomou o seu braço. Havia tanta coisa a dizer, tanta coisa a ser comunicada, e agora, na última hora, com sinos soando na cabeça, ele percebia que devia se sentir mais próximo do filho do que nunca.”

sexta-feira, 6 de abril de 2012

Páginas com páginas.

Por Carlos Gabriel F.

Conhecer a história de seu ídolo talvez seja uma das melhores narrações literárias que um bom leitor pode percorrer. Tragar o conhecimento daquele que, porventura, tenha realizado uma grande diferença em sua história enquanto crítico-conhecedor-de-palavras, seja por meio de suas músicas ou textos ficcionais, pode se tornar um grande prazer enquanto orgasmo cerebral. O fato é que biografias datam as histórias daqueles que mais glorificamos: os autores artísticos. 

Aqui datilografo a história dos que justificaram sua vinda ao plano terrestre. Suas cronologias, instigantes, são narrativas que aprisionam, retomam ao passado de uma forma anacrônica para nos submeter àquilo que mais desejamos conhecer: a sua mudança ao longo do tempo, os seus pensamentos induzidos e atos de bastidores. Com as biografias desejamos ter ciência daquilo que vemos registrado nas páginas do seu (in)consciente e representadas intertextualmente em suas obras.

Saramago: Biografia”, por sua vez, traz a história de um dos grandes leitores da era contemporânea (não me façam usar os verbos no passado, por favor). João Marques Lopes traça uma linda trama dos antecedentes de Saramago, desde o seu nascimento na Aldeia da Azinhaga, onde nos descobrimos diante as grandes referências presentes em seus livros. Lemos sobre seu avanço e sua já tardia iniciação na literatura, apenas aos 53 anos, mas de grande impacto social. Vemo-nos em 1998, quando Saramago ganha o Prêmio Nobel da Literatura e onde se torna o único escritor português a ser representado por sua nacionalidade. A brochura se torna referência para aqueles que desejam ter em mãos não apenas uma história marcante, mas também um toque de inspiração para sempre começar, que não é tarde.

Tarsila por Tarsila”: o resultado artístico de grandes entrevistas com familiares; baús, gavetas e caixas remexidos e trazidos ao presente para transmitir aquilo que a grande pintora brasileira Tarsila do Amaral traçou em sua vida e representou em terras tupiniquins e exteriores. Tarsila do Amaral, agora enquanto sobrinha-neta da grande artista, traz a tona o dia-a-dia da modernista que revolucionou por décadas. A sua representação é tão intensa que compreendemos a sua grande significância para o público brasileiro. A partir do relato do seu passado, desenvolvemos a perspectiva do que vivemos em tempo presente. 





Mais Pesado que o Céu - Uma Biografia de Kurt Cobain” vem a tratar com exatidão disso. Charles R. Cross representa em suas páginas os fatos da vida do mítico e revolucionário líder da banda Nirvana. Temos conhecimento de sua história conturbada, enquanto criança, ao viver em trailer numa cidade do estado de Washington, os detalhes de seus vícios e a finalização primaveril com seu suicídio em 1994. Somos contemplados com anotações, depoimentos e fotos, que corroboram para a nossa ideologia perante um grande artista. 

quarta-feira, 21 de março de 2012

Livros aleatórios de ficção-científico-fantasiosa que merecem ser lidos - Parte V.

Por Carlos Gabriel F.

Antes de elaborar uma lista é necessário enfatizar que os itens abaixo descritos e devidamente mencionados estão sendo analisados por fatores subjetivos. Quero dizer: não foram registrados em cartório como os melhores já escritos ou que mereçam presença divina em suas respectivas estantes. Posso dizer que são livros absolutamente aleatórios, que li em um período de tempo e que creio merecer destaque aqui, neste espaço virtual que estamos criando paulatinamente.

O gênero que me chegou primeiramente à mente e que dá característica à lista é a ficção/fantasia, daqueles que narram estórias que existem apenas nas páginas amareladas e distanciam-se do plano real (quem sabe?); daquelas que criam seres novos e relacionamentos surpreendentes; que em cenários de horror traçam cenas de suspense capazes de dar vertigens; que dão vida àquilo que algum dia cientificamente possa vir a existir.

Já que estes aspectos foram mensurados (novamente. Confira a primeira, segunda, terceira e quarta!), que comecemos:

Estive relutando em colocar “Marcada” (2007) aqui nesta lista por motivos de: acanhamento literário. A série “House Of Night”, com já nove publicações, situa-se naquele nicho de histórias-que-surgiram-no-aglomerado-vampiresco que viemos acompanhando desde o estouro da saga “Crepúsculo”. A narração de P.C. Cast e sua filha, Kristin, não merecem, entretanto, o desprezo que às vezes recebem. O modo como trabalham a estilista é simples, de modo a se aproximar do público alvo: o infanto-juvenil. Encontramos aqui Zoey, uma menina ainda jovem que acaba de ser marcada – em outros termos: recebera em sua testa a marca da lua crescente, o que significa que foi escolhida para entrar na Casa da Noite, a fim de ser treinada como um vampiro. Engana-se que a trama é superficial e supérflua. Entramos, por meio da astúcia das autoras, no mundo de uma deusa feminista, que envolve magia e, sobretudo, os quatro elementos. Zoey irá se ver inserida em um novo contexto, preenchida pela nova perspectiva e diferentes anseios. Os livros consequentes traçam a nova identidade da garota, que enfrentará inimigos grandiosos e irá se tornar algo antes imensurável. 

“Eu busco força, não para ser maior que os outros, mas para lutar contra meu maior inimigo, que é a dúvida dentro de mim mesma.”

Ganhei “A Estrada” (2006) de meu pai e, pois bem, não haveria contexto melhor para o presente ser inserido. Cormac McCarthy nos transporta, por meio de uma narração incrivelmente bem detalhada, para um cenário pós-apocalíptico. Acompanhamos, por ora, um pai e seu primogênito no caminho para a costa, sem saber discernir os motivos que não a salvação necessária. Os humanos neste período vivem aos bandos, com a necessidade de sobrevivência, tanto perante o novo contexto quanto os assassinos que matam por motivos da condição ali submetida. É uma história sobre esperanças e união entre um pai e seu filho num mundo caótico. É sobre manter uma relação mesmo que em situações extremas.
“Eu disse ao garoto que quando você sonha com coisas ruins significa que você ainda está lutando e que ainda está vivo. E quando você começa a sonhar com coisas boas é a hora em que você deve começar a se preocupar.”

Feios” (2005) já esteve aqui, de fato, em tempos passados, numa resenha feita magnificamente por Arthur. O problema em questão é que não poderia deixar essa brochura de fora da lista que aqui venho traçando. Gosto de Scott Westerfeld e sua linha de pensamento que nos leva direto ao ponto. A metáfora neste livro traçada é de tamanha coincidência com o nosso cosmo social contemporâneo que considero o livro, apesar de ficção norte-americana, de grande necessidade a ser mensurada. Vivemos de estereótipos de belezas e atribuímos coerções àqueles que não seguem tais parâmetros. A crítica de Scott se baseia (aqui traçado superficialmente, mas neste post mais detalhado) nesse quesito jovial, na necessidade de se encaixar numa comunidade de estranhos. 
“A natureza, afinal, não precisava de uma operação para ficar linda. Ela simplesmente era.”



É sim, é sobre aquele filme de 2008 (horrível, diga-se de passagem) da Sessão da Tarde que num futuro-próximo irá ser transmitido com frequência na rede de televisão aberta. “Viagem ao Centro da Terra” (1864) segue o ritmo já conhecido de Júlio Verne aventureiro. O que tanto me impressiona aqui é a descrição dos métodos e objetos geográficos – gosto disso, da narração simplista daquilo que de outro modo não conheceria. Tudo começa quando Dr. Lidenbrock e seu sobrinho Axel tentam desvendar códigos escritos por alquimista do século XVI que, porventura, pode ter ido ao centro da Terra. A partir deste ápice, ambos os personagens tramam uma aventura a fim de descobrir as profundezas da crosta. Um clássico que merece ser lido! 
“A fabulous world below the world.”

Precisamos de mais detalhes sobre Zafón depois de “Marina”? Este foi o meu primeiro, o que me fez elucidar e marcar no cerne a minha paixão por esse homem. Em “A Sombra do Vento” (2001) vivemos com Daniel Sempere numa Barcelona de 1945 com suas visitas ao Cemitério dos Livros Esquecidos, uma extensa biblioteca secreta que opera como depósito de brochuras abandonadas ao redor do mundo. É neste universo paralelo que Daniel encontra A Sombra do Vento, data como de autoria de Julián Carax. É neste ponto que Zafón aproveita para fazer o que sabe de melhor: criar mistérios (e romances, claro). Viajando através do tempo, o nosso protagonista tenta solucionar o segredo acerca do livro encontrado. 
“Quanto mais vazio está, mais rápido o tempo passa.”



segunda-feira, 5 de março de 2012

Livros aleatórios de ficção-científico-fantasiosa que merecem ser lidos - Parte IV.


Por Carlos  Gabriel F.

Antes de elaborar uma lista é necessário enfatizar que os itens abaixo descritos e devidamente mencionados estão sendo analisados por fatores subjetivos. Quero dizer: não foram registrados em cartório como os melhores já escritos ou que mereçam presença divina em suas respectivas estantes. Posso dizer que são livros absolutamente aleatórios, que li em um período de tempo e que creio merecer destaque aqui, neste espaço virtual que estamos criando paulatinamente.

O gênero que me chegou primeiramente à mente e que dá característica à lista é a ficção/fantasia, daqueles que narram estórias que existem apenas nas páginas amareladas e distanciam-se do plano real (quem sabe?); daquelas que criam seres novos e relacionamentos surpreendentes; que em cenários de horror traçam cenas de suspense capazes de dar vertigens; que dão vida àquilo que algum dia cientificamente possa vir a existir.

Já que estes aspectos foram mensurados (novamente. Confira a primeira, segunda e terceira!), que comecemos:

Na quarta lista que aqui datamos senti a necessidade de colocar nos holofotes livros que ora ou outra influenciaram naquilo que me equivale enquanto literário. “O Pequeno Príncipe” (1943) de sabe-se lá por quais motivos não se encontrara aqui previamente, foi o meu primeiro livro. Devorei aos bocados pelo computador, de tantas maneiras e de perspectivas tão inovadoras, que ao final da história necessitei voltar num recomeço. Os melhores contos vêm de histórias simples, daquelas que transformam a tamanha simplicidade na escrita em algo estonteantemente magnífico. Lembram-se de Flicts? Acredito que o livro de Antoine se encaixa no mesmo nicho: daqueles de pequenos-para-grandes; dos que à primeira vista parecem inocentes para os infantes, mas que ao final quebram barreiras. Pois bem, é sobre um príncipe que ama a sua rosa de um planeta distante; é sobre enfrentar novas perspectivas e descobrir novas criaturas; é sobre perdão e necessidade de reconquista; é sobre amor e gratidão; é, sobretudo, desculpem-me o clichê, um dos melhores livros que já li.

“As estrelas são todas iluminadas... Será que elas brilham para que cada um possa encontrar a sua?”

Markus Zusak, que será reconhecido pelo seu famigerado romance “A Menina que Roubava Livros” (2006) em terras brasileiras, tem um livro precedente de tamanha primazia para com a minha pessoa quanto o supracitado. “Eu Sou o Mensageiro” (2002) conta a história de Ed Kennedy, taxista, jovem de 19 anos, medíocre e sem futuro, mas que, de algum modo, impedira um assalto – e é este ato que resulta no recebimento de cartas misteriosas que o destinam a indivíduos que, também, necessitam desesperadamente de sua ajuda. A linguagem aqui usada por Zusak é direta, sem eufemismos, diferente da que notamos muitas vezes no seu lançamento futuro. Com um final marcante, Ed nos conduz através de uma trama de busca pela necessidade dos outros personagens; por meio de suas também mágoas o jovem se torna a mensagem para aqueles que necessitavam de apoio.

“O silêncio se aproxima mais ainda, me dá uma porrada e me empurra pra frente.”

 Citar Harry Potter em uma lista de ficção é quase que redundante, não?! Talvez seja por isso prolonguei tanto para me certificar de que algum dia fosse especificado aqui que o primeiro livro de J. K., Harry Potter e a Pedra Filosofal (1997), é um dos que mais aprecio; seja pela descoberta de um menino sobre aquilo que levaria para consigo durante toda a sua vida ou por entender que naquela história me encontraria representado em dias de tristeza social. Temos aqui, como já dito em tantos espaços virtuais, a presença de um garoto que se descobre – entremeado por sua pequena vida em um local físico pequeno – de sangue bruxo e com passagem marcada para uma escola que te ensinaria novas aprendizagens. Mas quem não precisa de amigos nos períodos mais estranhos da vida? É aqui, nessas primeiras páginas de Rowling, que conhecemos o trio Hermione, Rony e Harry; é nesta brochura que também vemos o primeiro mistério a ser resolvido.

“Ele vai ser famoso, uma lenda. Eu não me surpreenderia se o dia de hoje ficasse conhecido no futuro como o dia de Harry Potter. Vão escrever livros sobre o Harry. Todas as crianças no nosso mundo vão conhecer o nome dele!”

Quem diria, Saramago, quem diria, que seria numa lista de vestibular que te encontraria. Naquela lista de literatura: fora assim que me deparei primeiramente com àquele que considero (por favor, não no passado) o gênio da literatura contemporânea. “Ensaio Sobre a Cegueira” (1995) foi uma verdadeira paixão. Li sem pré-conceitos já me dados ao longo do ensino médio de que seria um verdadeiro porre. O modo sui generis de Saramago a narrar a uma história me conquistara de imediato: principalmente a criticar a visão supérflua e cega que, muitas das vezes, tratamos os diferentes aspectos da trama social em que vivemos, seja no âmbito político ou até mesmo sentimental. O autor metaforiza em suas páginas este aspecto, utilizando-se de personagens que perdem a visão para uma grande cegueira branca e que, absurdamente, são submetidos a situações desumanas a fim de ter como objetivo único a sobrevivência, perante a incapacidade e impotência. Trata-se de egocentrismo, de necessidade, de abandono, de índole, de amizade e, sobretudo, de ética, bondade e moral sobressalentes. 

“O medo cega, disse a rapariga dos óculos escuros, São palavras certas, já éramos cegos no momento em que cegámos, o medo nos cegou, o medo nos fará continuar cegos, Quem está a falar, perguntou o médico, Um cego, respondeu a voz, só um cego, é o que temos aqui.”


O livro intermediário entre os já conhecidos “Anjos e Demônios” (2000) e “O Código da Vinci” (2003), “Ponto de Impacto” (2001) retrata o que já esperamos tanto de Dan Brown: o inesperado. Rachel Sexton e Michael Tolland, aqui vistos como personagens principais, são surpreendidos a serem contatados e noticiados de que no grande Ártico havia sido localizado um meteorito que, em seu interior, encontravam-se fósseis – o que provava felizmente a existência de vida extraterrestre. O que aprecio acerta de Dan Brown é a sua capacidade de inserir na trama uma alta quantidade de teorias físicas – muitas das vezes conspiratórias – e a sua capacidade em explaná-las de modo fácil à compreensão. A pesquisa de Rachel e Michael os levarão a grandes descobertas que surpreenderão, certamente, o leitor.

“Chega de falar de peixes - ela interrompeu, com voz sensual, desabotoando seu pijama. - O que você me diz dos rituais de acasalamento de espécies avançadas de primatas?”



quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

Livros aleatórios de ficção-científico-fantasiosa que merecem ser lidos - Parte III.


Por Carlos Gabriel F.

Antes de elaborar uma lista é necessário enfatizar que os itens abaixo descritos e devidamente mencionados estão sendo analisados por fatores subjetivos. Quero dizer: não foram registrados em cartório como os melhores já escritos ou que mereçam presença divina em suas respectivas estantes. Posso dizer que são livros absolutamente aleatórios, que li em um período de tempo e que creio merecer destaque aqui, neste espaço virtual que estamos criando paulatinamente.

O gênero que me chegou primeiramente à mente e que dá característica à lista é a ficção/fantasia, daqueles que narram estórias que existem apenas nas páginas amareladas e distanciam-se do plano real (quem sabe?); daquelas que criam seres novos e relacionamentos surpreendentes; que em cenários de horror traçam cenas de suspense capazes de dar vertigens; que dão vida àquilo que algum dia cientificamente possa vir a existir.

Já que estes aspectos foram mensurados (novamente. Confira a primeira lista e a segunda!), que comecemos:

Prefiro o título em inglês que não tende a ser semelhante àquele-famigerado-e-famoso-livro-da-criminosa: “Florence and Giles” (2010). John Harding, influenciado pelas suas inspirações, Edgar Allan Poe e Henry James, cria em “A menina que não sabia ler” uma estória muitas vezes considerada mórbida, mas que nos leva à ebulição aos cruzar por cenas de suspense sombrio e mistérios. Florence, uma garota órfã de doze anos, é nos apresentada por si própria como uma amante dos livros, tendo como lugar favorito a biblioteca de sua torre. O lugar em que habita, a mansão Blithe, é circundada por segredos não revelados. Encontramos nesta trama a Senhorita Taylor, uma enigmática mulher com a função de cuidar das crianças, principalmente de seu irmão menor, Giles. É nesta mulher desconhecida que Florence enxerga seus medos e receios, pois se percebe cada vez mais distante do seu laço fraternal. A escrita de John é marcante e crua a fim de nos revelar o quão cruel pode ser o imaginário de um infante. Ao final das últimas palavras iremos nos perguntar: o que é verdade, o que foi perspectiva, o que de fato aconteceu durante estas escritas? Acredita-se na ingenuidade infantil ou contempla-se a obra com um olhar adulto de racionalidade?

“É uma história curiosa a que tenho de contar, uma história de difícil absorção e entendimento, por isso é uma sorte que eu tenha as palavras para cumprir a tarefa.”

Zig Zag” (2006) é de terras espanholas: foi escrito por José Carlos Somoza e chegou até a mim por meio da indicação uma amiga queridíssima de longe. Ela dizia sobre o quão o livro é bem traçado e a estória magnífica. E assim se foi. A brochura trata de assuntos que tanto tenho por favoritismo: viagem ao tempo, universo e Teoria das Cordas. O texto de Somoza acompanha um grupo de cientistas que tenta obter imagens cruciais do passado – desde a época dos dinossauros até a crucificação de Jesus Cristo – a partir das partículas de luz. A professora Elisa Robledo não esperava, entretanto, se deparar com questões tão devastadoras com os efeitos colaterais de sua pesquisa; os cientistas não esperavam, sobretudo, que criassem um monstro que vive à sombra e mata à sangue frio cada participante do projeto.

“A luz dessas estrelas demora milhões de anos para chegar à Terra – explicou ela. – Pode ser que não existam mais, mas nós continuaremos a vê-las durante muito tempo... Cada vez que olhamos para o céu à noite retrocedemos milhões de anos. Podemos viajar no tempo simplesmente olhando por uma janela.”

Mais uma vez Rick Riordan volta ao blog com os seus livros de divindades. Enquanto em Percy tínhamos o Olimpo como tópico, no livro “A Pirâmide Vermelha” (2010) temos como foco os deuses egípcios. Desta vez acompanhamos a saga de Dr. Julius Kane e seus dois filhos, Carter e Sadie Kane. A estória se inicia com a visita do Dr. a sua filha em Londres com o intuito de levar seus dois primogênitos ao British Museum em plena época natalina. Mas nem tudo sai como o esperado: Julius Kane evoca uma figura misteriosa e ambos, repentinamente, desaparecem. A aventura dos irmãos começa, deste modo, numa tentativa de resgatar o seu pai. É nessa aventura que descobrem segredos que envolvem suas famílias e a Casa da Vida, uma ordem secreta que existe há séculos. A brochura é o primeiro da coleção intitulada como “As Crônicas de Kane”. 

“Não, querida. Como sempre, o mundo moderno inverteu tudo. Preto é a cor do solo bom, como o do Nilo. É possível plantar alimentos na terra preta. E comida é uma coisa boa. Portanto, preto é bom. Vermelho é a cor da areia do deserto. Nada cresce no deserto. Portanto, vermelho é ruim.”

Deusa do Mar” (2003) é o primeiro romance de uma longa série  nomeada como“Goddess”, com já oito lançamentos. P. C. Cast invoca mais uma vez o seu feminismo marcante ao descrever o mito da sereia Ondina, mas com seu diferencial numa abordagem contemporânea. Christine Canady é uma solitária mulher que, na data do seu aniversário, recita uma invocação para adquirir ânimo em seu ócio diário; o que a sargento da Força Aérea Americana não imaginava era que tudo se tornaria realidade a partir do momento em seu avião caísse no oceano para ela se tornar uma personagem em um tempo legendário, administrado pela magia e pela mitologia.

“Lembre-se que eu estarei aqui – ele disse de modo resoluto. — Pela eternidade, Christine. Eu sou capaz de esperá-la pela eternidade.”



Mais uma vez o mestre Stephen King aparece nas listas de ficção pela sua excelência no assunto, desta vez representado com “O Apanhador de Sonhos” (2001), que até virou filme em meados de 2003. Lemos aqui a estória de quatro jovens que após salvarem uma criança especial do bullying, adquirem fortes poderes empáticos e, sobretudo, de ligações telepáticas. Anos após o acontecido, os quatro se veem aprisionados por uma nevasca em uma cabana nas florestas do Maine (sempre o maldito Maine!). Com uma narração que transgride entre o passado e o presente, King nos apresenta um universo em que alienígenas estão tentando controlar a mente da população terrestre a fim de atingir o patamar mundial de inspeção. Os personagens tramam não apenas uma batalha física contra o desconhecido, mas também mental, onde terão que recorrer à infância para encontrar a salvação.

P.s.: os extraterrestres adoram bacon – pelo menos eles tinham um ótimo gosto gastronômico. 

“Sometimes we have to kill, but our real job is to save lives.”


quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

Livros aleatórios de ficção-científico-fantasiosa que merecem ser lidos - Parte II.


Por Carlos Gabriel F.

Antes de elaborar uma lista é necessário enfatizar que os itens abaixo descritos e devidamente mencionados estão sendo analisados por fatores subjetivos. Quero dizer: não foram registrados em cartório como os melhores já escritos ou que mereçam presença divina em suas respectivas estantes. Posso dizer que são livros absolutamente aleatórios, que li em um período de tempo e que creio merecer destaque aqui, neste espaço virtual que estamos criando paulatinamente.

O gênero que me chegou primeiramente à mente e que dá característica à lista é a ficção/fantasia, daqueles que narram estórias que existem apenas nas páginas amareladas e distanciam-se do plano real (quem sabe?); daquelas que criam seres novos e relacionamentos surpreendentes; que em cenários de horror traçam cenas de suspense capazes de dar vertigens; que dão vida àquilo que algum dia cientificamente possa vir a existir.

Já que estes aspectos foram mensurados (novamente. Clique aqui a conferir a primeira parte da lista), que comecemos:

Você provavelmente já se deparara com este livro em algum ponto inexperiente de sua vida, seja como preferido da sua professora de colegial ou até mesmo vagando nas estantes de alguma da biblioteca. “O Mundo de Sofia” (1991), de Jostein Gaarder, é considerado por mim, e por muitos, como um clássico da literatura. A narrativa é realizada de uma forma interativa, de modo a descrever toda a história da filosofia e despertar a consciência do leitor perante a vida e suas ciências. A trama vivida por Sofia e seu professor particular é fenomenal por fatores instigantes e únicos, criados especialmente por Gaarder. Ao começar a leitura, é melhor estar preparado para o final!

“(...) Não quero que tu pertenças à categoria dos apáticos e dos indiferentes. Quero que vivas a tua vida de forma consciente.”




Mr. X.” (1999), de Peter Straub, fora comprado por mim porque estava na mesma estante que os brochurados de Stephen King e do mesmo recebia uma ótima crítica: “A trama nos desafia, os personagens são de uma complexidade intrigante, e o estilo inconfundível”. Somos levados pelo mundo eloquente criado por Ned Dunstan e as lacunas existentes em sua vida. Sua mãe, Star, no leito da morte avisa-lhe sobre as circunstâncias perigosas em que vivia e o nome de seu pai, antes desconhecido. Em cenas vibrantes de áreas oníricas da psique humana, acompanhamos a narração de Peter Straub, que é marcada entrementes pelo horror. 

“Vocês estão certos – realmente certos – que sabem quem foi que lhes contou esta história?”




Com os holofotes virados para “Crepúsculo”, “A Hospedeira” (2008) talvez não tenha ganhado o verdadeiro reconhecimento que deveria. Stephenie Meyer, aqui mais densa e madura do que nas estórias vampirescas, concerta uma trama de um mundo dominado por seres que usam dos humanos como os seus hospedeiros. Neste plano está Melanie, uma das “selvagens” que, porventura, não sucumbira ao processo extraterrestre.  Peregrina, entretanto, é designada como “alma” para o invólucro de Melanie, que, por desacorde do destino, fora capturada. O que não se era esperado, contudo, é a sobrevivência, mesmo que mental, da humana que aquele corpo habitava. A obra de Meyer retrata um questionamento da humanidade enquanto laços fraternais e âmago sentimental: somos físico ou espiritual? Podemos mudar o que de fato somos?

“Talvez não pudesse haver felicidade neste planeta sem um peso igual de dor que deixasse tudo equilibrado em alguma balança desconhecida.”
A Vidente” (2009), Hannah Howell, é o primeiro da coleção Wherlocke Series, e dá graças para os dias de chuva, com chocolate quente ao lado da bancada e meias de lã nos pés deitados: um belo romance açucarado. Passando-se no século XVIII, Chloe Wherlocke possui o dom de ver, com antecedência, fatos ainda não realizados. Ainda em 1785, ela é capaz de visualizar a morte de sua irmã ao realizar o parto e todas as suas complicações futuras. Na tentativa de impedir o falecimento, a herdeira Wherlocke penetra ainda mais nos laços dos seus familiares, o que exigirá dela um lado heróico – força, vontade própria e capacidade de mudar os padrões impostos pelo seu contexto social-histórico.

“Bem, depois que tiverem terminado de planejar meu futuro por mim, não se esqueçam de me comunicar o que decidiram! Então direi aos dois exatamente o que eu acho! De modo sucinto!”


O Chamado de Cthulhu e Outros Contos” (2010) é uma organização de Guilherme da Silva Braga para os contos de H. P. Lovecraft – o autor que, ao lado de Edgar Allan Poe, elevou a literatura dos contos fantásticos ao patamar da arte no século XIX. O brochurado reúne sete contos do autor, entre eles “Dagon”, talvez o mais conhecido texto de Lovecraft, que narra o encontro do personagem com o que se pensa ser a representação dos deuses de alguma tribo primitiva de navegadores. Lovecraft soube, em sua vida, como enegrecer o real; como estar frente ao seu tempo e criar cientificidade nas páginas; como deixar para a humanidade uma grande fonte de literatura clássica.

“Escrevo essa história sob uma pressão mental considerável, uma vez que hoje à noite me apago.”


terça-feira, 31 de janeiro de 2012

Livros para se adentrar no mundo de Agatha Christie - Parte I

Por Arthur Franco

Dizem que seus livros só não foram mais traduzidos do que a Bíblia e as obras de Shakespeare. Com mais de 80 romances publicados, Agatha Christie me conquistou ainda na adolescência, com meus 15 anos e tempo de sobra para ler. Era mais de um livro por semana: nas aulas, em casa, na rua, em qualquer espaço de tempo livre, estava eu com alguma obra ‘agathachristiniana’ embaixo do braço. As tramas muito bem estruturas e a variedade de motivos/armas/circunstâncias foram as pedras angulares para que meu coração desenvolvesse uma paixão por Christie. Os personagens, todos com o psicológico quase que ‘analisado’ ao longo das histórias, cativavam e sempre levavam a procurar mais um volume. E nesse quesito pouco tenho a reclamar: a Biblioteca Municipal de Uberlândia possuía quase todos os exemplares.  

Da maioria dos livros, vem o famoso Poirot, detetive belga , de “um metro e sessenta e dois; a cabeça, do formato de um ovo, ligeiramente inclinada para um lado; olhos de um verde brilhante quando excitado; espesso bigode hirsuto como costumam usar os oficiais do Exército; e uma pose de grande dignidade". Com a ajuda de suas células cinzentas e nunca sem deixar de lado o método e a ordem, consegue sempre revelar o criminoso. 

Mas não só de Poirot se fez Agatha Christie. Junto vieram Miss Marple, velhinha astuciosa dona de um olhar inocente, mas que sempre segue implacável frente ao crime; Tommy e Tuppence, casal de detetives que juntos buscam aventura na solução de mistérios; e Parker Pyne, que se define como ‘detetive do coração’: “Você é feliz? Se não for, procure Mr. Parker Pyne,no No. 17 da Rua Richmond.”

Além disso, outros dois personagens certamente ficam na memória dos leitores: o capitão Arthur Hastings, companheiro fiel e ajudante de Poirot, mas que às vezes o leva na direção errada; e Ariadne Oliver, escritora de romances policiais que muitos consideram o espelho de Agatha Christie. 

PS: nem todos os livros são protagonizados pelos detetives supracitados. Alguns são narrados e investigados por personagens que são de alguma forma empurrados para o mistério e se vêem em condições e impelidos a resolvê-lo. 

Como o volume de obras escritas por Agatha Christie é imenso, seleciono aqui 5 obras que recomendo e nomeio como algumas das melhores, baseados em fatores subjetivos e em variáveis como circunstâncias do crime, táticas utilizadas, originalidade e construção da trama. 

Vamos então aos livros:
Treze à Mesa (1933)

Detetive: Hercule Poirot
Quando treze pessoas estão sentadas a uma mesa, a primeira a se levantar está destinada a morrer. Foi essa superstição que deu à Crhistie a idéia para Treze à Mesa. Jane Wilkinson não esconde de ninguém que quer de todo modo se livrar de seu marido. Quando Lord Edgware aparece morto, todas as suspeitas recaem sobre ela. Mas no momento do crime, Jane participava de um jantar e 12 pessoas são testemunhas de que ela só se levantou da mesa para atender ao telefone. Se Jane tem um álibi, então quem era a misteriosa loira que a empregada viu entrando no escritório de Lord Edgware instantes antes do assassinato? 

"Sabe meu amigo que cada um de nós é um mistério, um labirinto de paixões e desejos e aptidões?"


 
Convite para um homicídio (1950)

Detetive: Miss Marple
"Convida-se para um homicídio, a ter lugar sexta-feira, 29 de outubro, em Little Paddocks, às 18h30m. Espera-se a presença de todos os amigos da família; não haverá outra convocação." É com grande surpresa que Letitia Blacklock, moradora de Little Paddocks, lê esse anúncio no jornal. A dona de casa não sabe quem é o autor dessa brincadeira, mas se vê em perigo quando sofre um atentado bem na hora anunciada pelo jornal. Miss Marple então começa a investigar e descobre que o é passado nem sempre ficou para trás. 

“Não consigo pensar em piadas muito melhores do que anunciar um assassinato no jornal local!
 




O Misterioso Caso de Styles (1920)

Detetive: Poirot
O primeiro livro de Agatha Christie é também a estréia de Hercule Poirot, além de apresentar o Capitão Hastings e o inspetor Japp, da Scotland Yard. Tudo parece indicar que Emily Inglethorp morreu de ataque cardíaco durante o sono. Mas o médico da família desconfia que envenenamento foi a verdadeira causa da morte. Mas como ela foi assassinada se todas as portas do quarto estavam trancadas por dentro? Nenhum membro da família tem um álibi convincente e todos tinham motivos para matar a Srª Inglethorp. Cabe às células cinzentas de Poirot descobrirem quem é o assassino. 

“Você deu excessiva rédea à sua imaginação. A imaginação é boa servidora e mestre ruim. A explicação mais simples é sempre a mais provável.”  



O Caso dos Dez Negrinhos (1939)

Detetive: nenhum
“Dez negrinhos vão jantar enquanto não chove; Um deles se engasgou e então ficaram nove.” Christie mais uma vez se utilizou de canções populares para criar esse famoso romance. A trama central do livro envolve a cantiga popular "Ten Little Niggers",  que narra o encontro de dez pessoas (ou indiozinhos, dependendo da versão), em que cada um vai morrendo de uma maneira. É justamente o que acontece com 10 estranhos confinados em uma ilha: cada um perece do jeito que a canção descreve. Mas ninguém é tão inocente quanto parece. Todos já cometeram algum crime e saíram impunes. Um deles sabe disso e está disposto a fazer que todos paguem pelos erros do passado. Só que quando a polícia consegue finalmente chegar à ilha, dez corpos são encontrados. Então, quem é o assassino?

"Oh, sim, eu não tenho nenhuma dúvida em minha mente de 
que fomos convidados aqui por um louco."


É Fácil Matar (1939)

Detetive: Luke Fitzwilliam
Primeiro morreu Amy Gibbs. Depois Carter. E Tommy Pierce. E o próximo certamente seria Dr. Humbleby. Todas as mortes podiam passar despercebidas, mas não para Miss Fullerton. Com a suspeita de que havia algo errado, a senhora decidiu procurar a Scotland Yard. No trem à caminho de Londres, ela conhece Luke Fitzwilliam, um ex-policial que não acredita na sua história de que há um assassino à solta em Wychwood-under-Ashe. Mas Luke é obrigado a mudar de idéia depois que Miss Fullerton é atropelada e o Dr. Humbleby aparece morto. Ao chegar à cidade para investigar, Luke parte em busca de um assassino que talvez nem exista, já que todas as mortes parecem naturais. Mas e se ele for real, será que o ex-policial pode impedir o próximo crime?

"É muito fácil matar, desde que ninguém suspeite de você."

domingo, 22 de janeiro de 2012

Livros aleatórios de ficção-científico-fantasiosa que merecem ser lidos - Parte I.


Por Carlos Gabriel F.

Antes de elaborar uma lista é necessário enfatizar que os itens abaixo descritos e devidamente mencionados estão sendo analisados por fatores subjetivos. Quero dizer: não foram registrados em cartório como os melhores já escritos ou que mereçam presença divina em suas respectivas estantes. Posso dizer que são livros absolutamente aleatórios, que li em um período de tempo e que creio merecer destaque aqui, neste espaço virtual que estamos criando paulatinamente.

O gênero que me chegou primeiramente à mente e que dá característica à lista é a ficção/fantasia, daqueles que narram estórias que existem apenas nas páginas amareladas e distanciam-se do plano real (quem sabe?); daquelas que criam seres novos e relacionamentos surpreendentes; que em cenários de horror traçam cenas de suspense capazes de dar vertigens; que dão vida àquilo que algum dia cientificamente possa vir a existir.

Já que estes aspectos foram mensurados, que comecemos:

O queridinho de outra queridinha, Anne Rice, “Entrevista com o Vampiro” (1976) é o primeiro de uma longa série, “Crônicas Vampirescas” e, vale ressaltar, incrivelmente escrito em apenas uma semana. A estória perpassa a vida de Louis de Pointe du Lac enquanto ainda mero mortal e sua finalização como vampiro. O livro traça uma bela discussão sobre mortalidade num cenário europeu, que conduz o leitor a questões filosóficas e dignas de serem refletidas: afinal a imortalidade é tudo que pensamos desejar? Um longa-metragem baseado no brochurado foi produzido em 1994 e conta em seu elenco com Tom Cruise. Ainda vale mencionar que a tradução brasileira foi realizada pela famigerada e amada Clarice Lispector.

“O mal é sempre possível. E a bondade é eternamente difícil.”





Rick Riordan, quem diria, me conquistara de forma sábia e infanto-juvenil. “O Ladrão de Raios” (2005) conta a estória de Percy Jackson – disléxico e com déficit de atenção –, Annabeth e Grover Underwood. O livro, primeiro de uma série cinco, traz em suas páginas um aglomerado de informações sobre mitologia grega – a qual, confesso, sou fã – com personagens marcantes e característicos. Os livros de Riordan são a personificação das batalhas antigas, já contadas, escritas e transmitidas ao logo dos séculos, mas com o diferencial de se passarem em pleno século XXI, onde semi-deuses – primogênitos de deuses com meros mortais – enfrentam dificuldades, sendo a primeira delas estudar no Acampamento Meio-Sangue, e encaram aventuras no submundo. O livro também fora adaptado para as películas em 2010, que, apesar de entristecer ao se desviar do enredo original, ainda merece ser visto por seus efeitos visuais. 

“Você deve ir para o oeste e enfrentar o deus que se tornou desleal (...)” 


Conheça por meio do eu-lírico de Daniel Handler, Lemony Snicket, os irmãos Baudelaire: Violet, Klaus e Sunny, órfãos e circundados por uma trama densa e gótica suburbana. O que mais me apaixona no livro primeiro, “Mau Começo” (1999), da então série de treze livros, “Desventuras em Série”, é o cenário de quase unicidade, característico e autêntico elaborado pelo autor, numa mistura surreal entre objetos anacrônicos e arquiteturas do início do século passado. Ao início do livro somos recomendados de abandoná-lo caso não estejamos adaptados a finais felizes. “Mau Começo” trata sobre morte e necessidade de sobrevivência perante os empecilhos da vida, numa forma bonita e pitoresca de demonstrar a união entre laços fraternais. Transfigurado para os cinemas em 2004, o filme reúne em apenas uma película os três primeiros livros da série – o que impediu de um melhor aprofundamento nos quesitos históricos.

“Caro Leitor, sinto muito dizer que o livro que você nas mãos é bastante desagradável.”


De tantos heróis da ficção, não poderia ficar de fora Stephen King. “Celular” (2006) não é de longe melhor do que “O Iluminado” ou que a série “A Torre Negra”, entretanto trata de assuntos tão macabros quanto. O evento primordial do contexto acontece no dia primeiro de outubro às 15h03 de uma época não mensurada e desimportante, em Boston: telefones celulares são agentes disseminadores de loucuras psicóticas, em que seus proprietários transformam-se em criaturas “fonáticas”, desprovidas de afeto humano e sedentas por carne. É nesse contexto que se encontra Clay Riddel, mero desenhista que tenta chegar em casa à procura de seu filho e ex-mulher. O livro é intenso, por absoluto, e traça uma crítica cruel ao capitalismo carnívoro dos diais atuais – ainda lembro-me de uma cena forte descrita minuciosamente nas páginas: um homem, totalmente nu, ainda (e apenas) com seus tênis Nike a correr pela avenida, à caça de novas presas e destinos adjacentes. 

“E o apocalipse foi iniciado apenas por aquele simpático toque                       de telefone celular.”


O clássico “O Hobbit” (1937) transporta-nos, enquanto leitores, para uma realidade paralela. J. R. R. Tolkien conta a estória do feito extraordinário realizado por Bilbo Bolseiro e seus amigos – mago Gandalf e treze anões –, que partem rumo às Montanhas Sombrias das Terras-Médias em busca do tesouro pertencente aos anões, roubados pelo dragão Smaug em épocas longínquas. A descrição desenvolvida por Tolkien é uma mescla surpreendente que remete à medievalidade e itens criados exclusivamente por uma mente literária de estilo impecável que Tolkien sabia realizar. Ao decorrer das páginas há a presença de desenhos belos e inesperados, que, por fim, auxiliam na imaginação do leitor. O livro – que tem por ordem cronológica anterior às narrações da trilogia “O Senhor dos Anéis” – ganhará vida nas telas do cinema em 2012 e 2013, já que a estória será dividida em duas partes.  

“Numa toca no chão vivia um hobbit. Não uma toca desagradável, suja e úmida, cheia de restos de minhocas e com cheiro de lodo; tampouco uma toca seca, vazia e arenosa, sem nada em que sentar ou o que comer: era a toca de um hobbit, e isso quer dizer conforto.”


O Guia Do Mochileiro das Galáxias” (1985) é o primeiro de uma “trilogia” de quatro (que na verdade são cinco), que originalmente era transmitido à população britânica via ondas radiofônicas, no período de 1978. Arrisquei-me a comprar a coleção num site de compras da internet por meros trinta e cinco reais e, por bem, não me arrependo do dinheiro investido. Por meio do humor ácido, sarcástico e cômico de Douglas Adams, os leitores são levados em aventuras por meio do hiperespaço e do cosmo. Os personagens Arthur Dent, Ford Prefect, Trillian, Zaphod Beeblebrox e Marvin (o robô maníaco depressivo) são orientados pelo (obviamente) Guia do Mochileiro das Galáxias, o “repositório padrão de todo o conhecimento e sabedoria”. O que não me era esperado nos escritos de Adams é a discussão de questões filosóficas e existenciais, na tentativa de responder às perguntas primordiais: o que fazemos aqui, de onde viemos, qual o nosso destino? O livro também foi adaptado aos cinemas e distribuído, principalmente, pela Walt Disney Pictures em 2005.

“Don’t Panic!”


Por último, mas não menos importante dos que acima citados, “Uma Princesa de Marte” (1917) é o primeiro de uma coleção de onze livros de Edgar Rice Burroughs, que relata a história romântica de John Carter nas terras desconhecidas de Marte (ou Barsoom, como é chamado por seus habitantes). Sua chegada no planeta distante acontece por motivos não revelados e resultantes da procura de abrigos em uma caverna. Desconhecido no meio de anônimos, Carter é aprisionado por criaturas hostis, mas de extrema inteligência. Entrementes, é apresentada Dejah Thoris, princesa de Helium, que à primeira vista rouba a perspectiva e foco do protagonista com seu amor carnal e respeitoso. O leitor se verá entretido em uma leitura dinâmica, semelhante às experiências traçadas no filme “Avatar”, de James Cameron – que revela: fora influenciado por Burroughs e suas estórias extraterrestres. 

“Eu não podia permitir que o acaso lhe desse ainda mais dor e sofrimento ao declarar que meu amor ao qual, com quase absoluta certeza, ela não corresponderia.