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quarta-feira, 18 de abril de 2012

Da caneta para a tevê.


Por Carlos Gabriel F.

Além das prolongações do cinema, da adaptação pelicular de no máximo duas horas de duração, o regozijo transcendental é maravilhoso, de ter a vislumbração em cores e ao vivo daquilo que se imaginara tanto nos quesitos literários. Que não me retire dos lábios que digo que um mero baseamento será melhor do que a brochura, mas o meu postulado é o de que a transcrição seriada das nossas imaginações na televisão, por vezes, é fantástica – não lembremos das diferenciações tão faladas neste blog e as expectativas não cumpridas, por favor.

Pois bem, viraram séries: 

Diários do Vampiro”, de autoria de L. J. Smith, ainda continua a aumentar a sua numerosa coleção com histórias ainda a serem contadas – assim como a televisiva, que já contabiliza três temporadas. A escrita da autora é doce e romântica, entremeada de fatores fantasiosos e vampirescos. “O Despertar”, primeiro da série, possui suas primeiras peripécias lançadas no ano de 1991 e vem a dar suas graças de publicações adjacentes até o ano de 1992, em que teve o seu final (provisório) com “Reunião Sombria”. Com a adaptação para o canal estadunidense CW, em 2009, a autora voltou com o “Anoitecer” – para o agrado dos fãs ávidos por novas imaginações. A densa trama circunda a vida de Elena Gilbert e seu conturbado relacionamento com os irmãos Salvatores, de modo a gerar daí a maior parte do desenvolvimento da trama.

A coleção de Jeff Lindsay, “Dexter”, também foi adaptada às tevês. O primeiro dos seis já publicados, “Dexter: A Mão de Deus”, de 2004, deu início ao personagem que por vezes tanto adoramos e idolatramos. Morgan é um educado vestido de lobo, como bem dizem; em Miami, o seu papel social é ser perito da polícia; o seu papel moral é matar aqueles prejudiciais aos indivíduos (como si mesmo), ser um serial killer. A drama acompanha o personagem e sua tentativa de “humanização”, suas escolhas e loucuras mentais. A série televisiva é transmitida pelo canal Showtime. 



Quase um “Gossip Girl” só que com mais aventura e ação: estas são as “Pretty Little Liars” de Sara Shepard. A série conta dez livros publicados, sendo o primeiro “Maldosas”, de 2006. As brochuras tratam da história de Spencer, Aria, Emily, e Hanna envoltas dos segredos mantidos e distribuídos por sua amiga, agora desaparecida misteriosamente, Alison. As meninas veem-se em perigo quando começam a receber mensagens de texto assinadas por “A”, onde este grande mistério da série é desenvolvido de forma sagaz e interessante, a fim de prender o leitor nas páginas da brochura infanto-juvenil. A transmissão das temporadas pela ABC Family desde 2010. 

segunda-feira, 2 de abril de 2012

Ao canto dos tordos.

Por Carlos Gabriel F.

Estreou na penúltima sexta-feira do já despedido mês de março, 23, a tão esperada película, dirigida por Gary Ross – também responsável por “Seabiscuit - Alma de Herói” e “A Vida em Preto E Branco” –, intitulada como “Jogos Vorazes”.


Precisa-se notar que minha perspectiva diante a trama criada previamente por Suzanne Collins em meados de 2008, para qual o filme tomou como base, ainda é recente. Recentíssima, aliás. Havia lido, nesse oceano cibernético, sobre como a brochura era interessante e que deveriam constar nas listas de “livros aleatórios de ficção-científico-fantasiosa que merecem ser lidos”. Apesar da edição brasileira ter chegado nas prateleiras ainda em 2010, por meio da editora Rocco, encontrei-me com as páginas apenas semana passada.

Suzanne, como bem vale ser lembrada, teve uma carreira voltada para o infanto-juvenil. A norte-americana, de madeixas castanhas e olhos acinzentados de tamanha doçura, já trabalhou com o canal televisivo Nickelodeon, onde ajudou na produção de programas tais como “Clarissa Explains It All” e “The Mystery Files of Shelby Woo”. A comunicadora formada em Indiana University passou, então, para o âmbito literário, em que se dedicou, primeiramente, a livros inteiramente infantis, muitos inspirados no já conhecido “Alice no País das Maravilhas”. Foi em 2008, então, que lançou o início de uma trilogia: “Jogos Vorazes” teve a sua ansiosa gênese. 

Pois bem, direcionemo-nos ao enredo do livro. Aqui se retrata a história de Katniss, moradora do Distrito 12, no país de Panem (antiga América do Norte, diga-se de passagem) e comandada pela Capital. É nesse lugar que acontece anualmente o que chamamos de Jogos Vorazes (ou Hunter Games, para os poliglotas): um reality show, onde um menino e uma menina de cada um dos dozes distritos são escolhidos, por meio de sorteios, a fim de batalharem até a morte em um campo residido na Capital. É na edição septuagésima quarta que Katniss vem a participar – em forma de tributo, para impedir que a sua irmã mais nova, escolhida no sorteio feminino, fosse para algo que não estava ainda preparada.

Junto a Peeta, Katniss vê-se indo para o lugar em que precisará batalhar por sua vida. A narração tramada por Suzanne é direta, sem rodeios e lirismos; as suas ideias são sobrepostas nas páginas e transmitem aquilo que é desenvolvido em sua mente, por vezes, muito criativa. A sua obliquidade é tamanha que desacostuma; digo: sente-se falta de tempo para respirar devido a sua forma subjetiva de escrita. Lemos, por meio da narração de Katniss, que aqui se torna a personagem principal, o que acontece em seu círculo de visão.

Enquanto o livro preza por sua característica sui generis, o filme não é diferente. A grande sacada de Gary Ross reside, entretanto, em mostrar além do que se é permitido conhecer no livro com a visão de Katniss. São retratados, entrementes, os bastidores do programa e seus momentos adjacentes – esses lapsos, por vezes, ficam subentendidos na narração de Suzanne, mas não é algo que se torna explícito com uma narração para além.

As diferenças entre brochura e película são diversas e, às vezes, pequenas e detalhistas – mas não tamanhas como em Percy Jackson, lembram-se? –, contudo, não é nada que torne o filme inutilizável. A adaptação nos quesitos fotografia e roteiro podem ser parabenizados de modo exemplar. Seja por questões éticas ou moralistas, no longa não é citado, entretanto, que o lugar ali retratado era, em épocas passadas, território norte-americano – o que concebe, na brochura, uma das grandes críticas ao modo como se propõe a estrutura social atual, principalmente na grande potência mundial, em que se distingue na indústria cultural massificada a admiração por aquilo que, se visto mais a fundo, é de retrato feroz em enlace à carnificina social hoje representada.

terça-feira, 27 de março de 2012

Mochilão com Júlio Verne.


Por Arthur Franco 

Com a evolução da ciência e o impacto das inovações tecnológicas do século XIX, a ficção científica encontrou um ambiente fértil para nascer. Robôs, andróides, viagens no tempo, vida em outros planetas: tudo que envolvia as novas ciências e o desenvolvimento nos campos da física, biologia, astronomia, entre outros, era digno de enredo de obras literárias. Foi nessa atmosfera de progresso que Júlio Verne se destacou e se consagrou como uma dos maiores autores de ficção científica.

Verne tinha uma imaginação fértil. Escreveu sobre máquinas voadoras, submarinos, viagens à Lua e ao centro da terra. É um dos autores mais traduzidos em todo o mundo e até hoje cativa leitores com suas histórias extraordinárias e repletas de elementos fantásticos. 

A Volta ao Mundo em 80 Dias foi originalmente publicado em 1873. Verne já era conhecido nessa ocasião, uma vez que seus livros anteriores tinham feito muito sucesso com o público. Nessa nova obra, o autor propõe uma tarefa que parecia impossível naquele dias: dar a volta ao mundo em 80 dias. Em um tempo em não havia aviões, era necessário viajar de trem ou de navio. Quem tentará tal façanha é Phileas Fogg, personagem criado pelo autor e protagonista do livro. Fogg é um cavalheiro inglês que, apesar de muito rico, vive uma vida regrada e sem muitas aventuras. Tudo muda quando ele sugere aos cavalheiros do seu clube, o Reform Club, que é possível dar a volta em 80 dias. Todo o cronograma de viagem já estava na cabeça do protagonista, e assim ele o expôs aos seus companheiros: 

De Londres - a Suez - paquete e caminho-de-ferro - 7 dias
De Suez a Bombaim – paquete - 13 dias
De Bombaim a Calcutá - caminho-de-ferro- 3 dias
De Calcutá a Hong Kong – paquete - 13 dias
De Hong Kong a Yokohama – paquete - 6 dias
De Yokohama a São Francisco – paquete - 22 dias
De São Francisco a Nova Iorque - caminho-de-ferro - 7 dias
Nova Iorque - Londres: paquete, caminho-de-ferro - 9 dias

Total: - 80 dias

Ninguém acredita nessa possibilidade. Fogg então propõe que ele mesmo dará a volta ao mundo em 80 dias e que, no dia 21 de Dezembro, às 08h45min da noite, estaria de volta ao Reform Club. Ao lado do seu criado Passepartout, Mr. Fogg vai embarcar em uma viagem que mudará o seu destino e que transportará o leitor aos quatro cantos do mundo. No seu enlaço, o Detetive Fix, que acredita que o protagonista assaltou o Banco da Inglaterra. 

O livro fez sucesso no seu lançamento, já que as pessoas não tinham tantas oportunidades de viajar no século XIX como hoje. Verne trouxe então as culturas, as vivências e os costumes dos mais variados povos e países para a literatura, acessível a qualquer um e a qualquer momento.

A obra já foi amplamente adaptada para os mais diversos meios. Talvez as mais famosas sejam a minissérie televisiva com Pierce Brosnan no papel de Mr. Fogg  e a adaptação cinematográfica com Jackie Chan  no papel principal. Entretanto, essa última versão é quase que uma releitura da obra, já que tem um tom cômico e possui alguns pontos divergentes do romance. 

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

Os dois Ladrões.


Por Carlos Gabriel F.

Ao descobrir que os nossos livros preferidos se tornarão filmes, ou até mesmo seriados televisivos, encantamo-nos e tornamos expectativa enquanto previsão futura de que a adaptação venha a ser com exatidão aquilo que imaginara enquanto lia a brochura em algum tempo passado. Esperamos por tempos intermináveis de que aquele material produzido em conjunto a um diretor e roteirista se torne de tamanha primazia que nos sacie enquanto leitores insaciáveis. Mas a verdade seja dita: isso nunca acontece. “Nunca”, deixem-me generalizar. Seja por questões subjetivas ou porque somos demasiadamente exigentes, as nossas obras, retratadas numa tela qualquer de cinema, não condizem com o que havíamos imaginado. Os filmes são bons se muita das vezes analisados por fatores como a atuação dos atores ou a fotografia utilizada no longa, mas deixa de ganhar a sua merecida magia por não corresponder àquilo que queríamos. Esse complexo entre filme versus livro é um estigma nas nossas vidas – e muitas das vezes também um ciclo vicioso: nunca nos cansamos de esperar por algo que venha a contrariar todo o nosso conceito formado acerca deste assunto.


Se for pra falar de adaptações, que comecemos por “Percy Jackson e o Ladrão de Raios”, escrito por Rick Riordan, (que já apareceu por aqui em outrora nos “Livros aleatórios de ficção-científico-fantasiosa que merecem ser lidos - Parte I”), que foi adaptado aos cinemas em 2010 pela direção de Chris Columbus – aquele mesmo que também levou para as telas, enquanto produtor e diretor, as três primeiras edições da saga Harry Potter. No papel de Percy Jackson encontramos Logan Lerman, como Grover Underwood temos Brandon T. Jackson e, por fim, Alexandra Daddario interpretando Annabeth Chase. Acredito que a primeira divergência entre livro e filme começa-se por este aspecto: a escolha dos atores e atrizes. Logan assemelha-se à descrição de Percy, mas peca ao retratá-lo como um jovem de dezessete anos enquanto nosso original tinha sequer doze; Grover, por sua vez, é ruivo de cabelo encaracolado, com um sino ao pescoço e olhos azuis, enquanto Brandon é negro, com cabelos curtos e pretos; Annabeth, pela última decepção, é retratada por Rick como loira, de olhos cinzentos e de idade de Percy, enquanto nos olhos de Chris, a personagem se torna mais velha com madeixas acastanhadas. 

São tantas as comparações, são tantas as decepções, que retratarei apenas as principais, aquelas que, não entendo como, foram deixadas de lado em um filme de cento e vinte minutos e que irão, de algum modo, danificar as próximas adaptações – se elas de fato vierem a existir – que são “O Mar de Monstros”, “A Maldição do Titã”, “A Batalha do Labirinto” e “O Último Olimpiano”. 

Primeiramente, o Acampamento Meio-Sangue é descrito como um belo lugar em uma planície localizado no meio de colinas, com construções de arquitetura grega de extrema beleza, com vastos campos de plantações rasteiras, circundadas por florestas; na película, de outra forma, a área assemelha-se mais a uma grande selva insípida. 

Personagens importantes foram deixados fora da trama visual, como Clarisse – que causaria em Percy a experiência de ser capaz de controlar a água, mesmo que de modo rudimentar, e também será esta que acompanhará o protagonista em outras aventuras nos livros conseguintes –, Oráculo de Delfos – responsável pelas principais previsões ao longo da série –, Cronos – ex-divindade suprema que será o malvado em momentos posteriores – e Sr. D – diretor do acampamento e de quem Percy ouviu bons conselhos.

Percy em um momento oportuno, descobre a sua filiação divina de modos absurdamente diferentes. Nos escritos, o menino percebe o símbolo a pairar sobre sua cabeça após uma disputa tradicional entre as diferentes casas do reino, enquanto no longa, o responsável por contar ao jovem é Quíron, o centauro diretor de atividades do acampamento.

Uma das diferenças principais entre as duas obras – porque é assim que as vejo: duas obras, com enredos similares, contexto semelhante, mas com diferenças tamanhas que se divergem a pontos opostos –, e digna de ser citada, é o responsável pelo roubo do Raio. Enquanto no filme temos um jovem como apontado – o vilão, sim, de muitos dos atos cometidos tanto no primeiro como nos livros próximos –, na brochura temos um Deus olimpiano.

As divergências são tamanhas, de fato, mas não impedem de que o filme seja desprezível, já que conta com ótimas cenas de aventura e lutas gráficas de tirar o fôlego. Para aqueles que não temem pela decepção ou não tenham mente uma comparação a ser feita, é uma ótima escolha para o final de semana, mas para aqueles que são aficionados pela saga riordiana, imagino que será uma grande decepção. 

domingo, 15 de janeiro de 2012

A primeira vez de Lisbeth Salander.

Por Arthur Franco


Os Homens Que Não Amavam As Mulheres é o primeiro livro da Trilogia Millennium, que também engloba os livros A Menina que Brincava com Fogo e A Rainha do Castelo do Ar, todos escritor sueco Stieg Larsson. Lançado primeiramente em 2005, o livro já foi adaptado duas vezes para o cinema: uma primeira versão em 2009, produzida pela companhia sueca Yellow Bird; e agora uma versão americana de 2011, dirigida por David Fincher, responsável por A Rede Social e O Curioso Caso de Benjamin Button.  Nessa nova versão cinematográfica, Daniel Craig interpreta Mikael Blomkvist e Rooney Mara é Lisbeth Salander. 
  
A temática principal do livro é o abuso sexual de mulheres e como essa exploração tem proporções muito maiores do que podemos pensar. Ao longo de suas 528 páginas, Stieg Larsson apresenta uma história que é incomparavelmente bem escrita e cativante. Misturando elementos de um romance policial e questões políticas e sociais, Larsson consegue combinar todos os personagens e amarrar todas as pontas soltas de uma forma tão que chega a ser surpreendente. O elemento suspense está presente do início ao fim, e logo no primeiro capítulo o autor utiliza uma manobra que Dan Brown já é mestre: apresentar algum ápice da trama que prende o leitor desde já e que só será explicado muito à frente. 

Nesse caso, o mistério é acerca de Harriet Vanger, que desapareceu em 1966 sem deixar vestígio algum. Até o seu desaparecimento, Harriet presenteava seu avô, Henrik Vanger, com uma flor emoldurada todos os anos em seu aniversário.  O problema é que, mesmo depois de seu desaparecimento, Henrik continua recebendo uma flor a cada aniversário. Ainda assim ele está convencido de que ela está morta e que algum membro da sua família foi o responsável. É na busca da solução para esse enigma é que o livro consegue se desenvolver tão continuamente e a leitura se faz ágil.

O protagonista masculino é Mikael Blomkvist, um jornalista responsável por várias denúncias de escândalos e esquemas financeiros. É ele que vai investigar o que realmente aconteceu com Harriet, sob o pretexto de escrever uma bibliografia da Família Vanger.  Mas a verdadeira atenção da trama é Lisbeth Salander. Pálida, magra, com cabelo curto e muitos piercings, Lisbeth é o que podíamos chamar “antagonista-protagonista”. É aquele tipo de personagem subjetiva e aversiva que vai contra todas as regras e contra tudo que se espera dela, mas que ainda assim conquista nossa afeição. E, por mais anti-social que Lisbeth seja, o seu caminho vai se cruzar com o de Mikael, revelando que os segredos dos Vanger vão muito além do que se acredita e certos atos têm conseqüências incalculáveis. 

Um fato curioso sobre a Trilogia Millenium é que somente após a morte de Larsson, as obras foram publicadas. O autor morreu em 2004, vítima de um ataque cardíaco, e em 2005 foram descobertos os manuscritos da Trilogia. Muito se especulou sobre a sua morte, já que constantemente Larsson recebia ameaças de morte. Depois do lançamento, os livros foram um sucesso imediato, sendo A Rainha do Castelo do Ar o livro mais vendido nos Estados Unidos em 2010 segundo a revista Publishers Weekly. 

Os Homens que Não Amavam as Mulheres é certamente um daqueles livros que é difícil de colocar de lado depois que se começa a ler e só consegue para quando a última página é virada. 

Confira abaixo o trailer da versão americana de Os Homens Que Não Amavam as Mulheres: